Hélio dos Anjos: O Antítese

Para alguns a vinda do Hélio dos Anjos ao glorioso Atlético assemelha-se com a chegada do próprio cramunhão ao paraíso. Porém, temos que ponderar e deixar de confundir inimigo com algoz e deixarmos de fazer prejulgamentos condicionados apenas pela fúria de campeonatos passados. O nosso inimigo é o Goiás Esporte Clube e a recíproca é verdadeira, pois da mesma forma que agouramos o sucesso deles eles rogam por nossa derrocada. Em luas passadas sim, o Hélio foi nosso executor e carrasco, assim como em outras luas chafurdamos de alegria ao fazê-lo possesso de raiva. Contudo, na esquadra inimiga seu tempo também venceu e convenhamos, com mais glórias do que tragédias. Além do que e é impossível manter um império pela eternidade, ou seja, quanto mais alto se sobe, maior é a queda.

O tombo do feudo “Macambira” partiu ossos joviais e osteoporóticos e esses estão sendo remendados na série B. O técnico é, na hora da demissão, a figura ilustrativa que paga, na maioria das vezes, pela incompetência da nobreza (dirigentes) e a insurgência dos camponeses (jogadores). É uma heresia a Cúpula Rubra Negra contratar o próprio “Boca do Inferno”* do futebol Goiano? Claro que não. Quando ele, o Hélio, vocifera com a imprensa… Entende?… Ele o faz, entendo eu, porque odeia perder. O problema é que a verdade dói. Que o Vila Nova é sujo todo mundo sabe, mas a analogia é outra. A “sujeira” não são as folhas de manga ressecadas de agosto sobre o chão do Onésio. A sujeira nada mais é que a vergonhosa situação em que um time de futebol pode chegar administrativamente. Tem que ter peito, independente do clube, para no cargo de técnico dizer: “Esse time é sujo”. Não achem graça Atleticanos, pois chegamos ao próprio esgoto em um passado recente. Os coronéis colorados são tão frouxos, parafraseando Cizenando Ferro, que não tiveram culhões para destituir o Hélio de seu cargo diante de desonrante elogio. No proeminente Reino do Dragão o Hélio sabe que a guilhotina decepa ao menor sinal de falácias.

Que o diga o escudeiro Ramalho que não teve a honra de ser decaptado, seu castigo é ficar isolado nas masmorras rubro negras. O Dragão, na ronaldesca figura do Adson Batista, não convocaria o Hélio se não soubesse de suas virtudes. Depois que o possuído Robston desertou ficamos sem um ensandecido interlocutor das massas, isto é, órfãos do porta-voz que ao microfone incendeia os ânimos antes da batalha sangrenta. Assim como fez Sir William Wallace ao insuflar as tropas escocesas para destroçar os ossos ingleses.

Não precisamos criar um inimigo que não precisamos, precisamos é dar forças ao nosso novo aliado. O jovem aprendiz Jedi Jairo, nem tão jovem assim, mostrou que sem experiência alguma regeu com maestria nossas tropas diante de temíveis inimigos. Se o Jairão deu conta não é possível que o calejado Hélio não dê. Aliás, o Hélio parece aquele coronel escroto do filme AVATAR… O Atlético precisa, de certa forma, ser um pouco arrogante com os arrogantes inimigos, principalmente a Ocular detentora do campeonato.

O Hélio é nossa antítese, ou seja, o improvável que provavelmente dará certo.

Por Maurício Machado: Torcedor do Atlético

Autor do post:
Ubiratan Francisco de Oliveira

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