BWA, Independência e a proibição de faixas e bandeiras

Não há como negar: o Independência ficou lindo. O retorno dos jogos para Belo Horizonte trouxe consigo milhares de benefícios para os torcedores e para os clubes, que já não precisam ir a tão longe para acompanhar/jogar os campeonatos.

Para o Atlético, então, a parceria com a BWA (administradora do estádio) para exploração comercial foi uma grande jogada, já que agora lucra com todas as partidas disputadas no Independência.

Porém, os problemas de visibilidade em alguns setores tem sido a grande “pedra no sapato”, mesmo antes da reinauguração do estádio. Grades impedem que o torcedor possa ver o jogo sentado. O Ministério Público já havia exigido uma posição da administradora para solucionar o problema de forma efetiva, porém estas não tem sido tomadas.

A venda de ingressos nesses espaços a um preço menor foi uma medida pífia, já que não resolveu a questão. E, aumentando ainda mais a polêmica, na última terça-feira (26), a BWA divulgou, em nota oficial, a proibição do uso de faixas e bandeiras de grande porte nos anéis superiores e intermediário do Independência. A justificativa, segundo o presidente da empresa, seria “evitar eventual prejuízo à visibilidade e possibilitar a instalação de futuros painéis publicitários”.

Horas depois, a diretoria da Força Jovem Atleticana, representada por Rafael Orsini, manifestou através de uma nota de repúdio toda a indignação da mesma perante a proibição. Rafael também respondeu a algumas questões da Geral do Galo:

Geral – A Força Jovem Atleticana, em ação isolada ou conjunta com outras Torcidas Organizadas, já tomou alguma iniciativa em relação a proibição das faixas?

Rafael – Fora o lançamento da nota oficial, apenas entramos em contado com a Galoucura. Estamos empenhados em juntar forças, inclusive com torcidas dos outros times mineiros, para exercemos nosso direito de torcer no estádio.

Geral – O Estatuto do Torcedor só cita, no artigo 13-A, a não utilização de faixas e bandeiras que tenham mensagens ofensivas e a questão do uso de bambus ou similares nas mesmas. Acham que esse pode ser um forte argumento para conseguir algum tipo de negociação com a BWA?

Rafael – Não há dúvida quanto a tal. Utilizaremos de todos os artifícios, ainda mais da lei que garante a proteção e defesa do torcedor. A BWA, com essas ações, está querendo tirar o verdadeiro torcedor do campo e nós não iremos deixar.

Geral – Foi citada a questão da proibição das faixas devido à futura instalação de placas publicitárias, o que traria renda para o Galo. Isso tem divido opiniões, já que alguns atleticanos acham que, se for pra lucrar, é válida a medida tomada pela BWA. Qual a sua opinião a respeito?

Rafael – Lucros são dados pelo torcedor. Aliás, o torcedor é que sempre carregou o Atlético, pagando camisas, dormindo em filas para ingressos… O Atlético ganhará na parte financeira, dando um passo para frente nesse ramo, e dará mais dois para trás com a Massa, tirando aos poucos ela de campo.

Geral – Obrigada, Rafael. Fica o espaço para considerações finais.

Rafael – Nós torcedores, não só da Força Jovem Atleticana, queremos poder ir ao campo sem sermos impedidos de fazer nosso espetáculo. Claro que o futebol hoje se transformou em um grande negócio, mas somos nós que fazemos com que esse negócio alavanque cada vez mais. Não queremos nada mais que cantarmos em paz, levarmos nossas faixas e estarmos com o Galo, embelezando ainda mais a festa feita pelos jogadores em campo.

Agradeço pelo espaço cedido na Geral do Galo para mostramos nossa indignação quanto a essa decisão. Obrigado Gabriela, obrigado pessoal!

Nunca irão nos calar!

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Compartilho da opinião do Rafael e de vários outros torcedores: faixas e bandeiras são sim, importantes para compor os festejos da torcida.

A visibilidade já é comprometida com a presença delas ou não. Por que não resolver, primeiro, o problema das grades? Por que continuar “tapando o sol com a peneira”?

Quanto as placas publicitárias, é possível achar uma solução que seja boa para ambos os lados: basta permitir que as faixas sejam anexadas em uma parte e as placas fiquem em outra, pronto! Divida o espaço, de forma igualitária, para os dois.

Não adianta tomar medidas radicais, que só afastem o torcedor de campo. Sem nós, a alegria e a magia do futebol vão se perdendo aos poucos. Toda essa burocracia que temos enfrentado para torcer está ficando, a cada dia, mais chata.

Que venham dias melhores, desfechos melhores e um espaço de convivência melhor para se frequentar.

Saudações atleticanas!

Foto: Bruno Cantini

Foto: Bruno Cantini

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Autor do post:
Gabriela Saraiva Resende e Silva

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