Era uma vez…

Texto de Eduardo Betinardi

Colombo, 21 de março de 1999. No auge dos meus 13 anos e após passar alguns dias guardando moedinhas, saí de casa bem cedo para um programa bem entusiasmante: acompanhar o Atletiba, válido pela Copa Sul, no Couto Pereira. Com a camisa do Atlético escondida na bermuda e enfrentando toda a reprovação da família, entrei em um ônibus alimentador e segui rumo ao terminal Maracanã, onde tinha que embarcar no famoso Colombo/CIC.

Nervoso e morrendo de medo de encontrar a torcida do Coritiba, fiz todo o trajeto, que passou ainda pelo terminal Cabral e se encerrou na estação tubo Maria Clara, no Alto da Glória, bem quietinho e sem olhar para os lados. Desci do biarticulado ainda mais assustado, andei algumas quadras, cruzei com milhares de torcedores do Coritiba e só relaxei (sim, eu consegui) quando cheguei na entrada reservada para a torcida adversária, me encontrando com aquele mar de torcedores atleticanos!

Entrando no Couto Pereira, naquele tradicional cantinho reservado para a torcida do Furacão, senti aquela energia que só conhece quem já teve o prazer de invadir o território do adversário. Fui tomado por aquela ideia de ter que gritar por 10 pessoas para tentar diminuir a diferença numérica das arquibancadas. Que dia! Durante os 90 minutos me senti muito mais perto do Clube Atlético Paranaense, enfrentando obstáculos e todos os meus medos só para empurrar aquele que me faz sorrir.

Já satisfeito por estar participando daquele momento único do futebol paranaense, fui contemplado, também, por um passeio de bola do Furacão dentro de campo, marcado por um show do jovem Adriano Gabiru e um inesquecível 3 x 1 no placar. Faria tudo para que aqueles 90 minutos fossem multiplicados por 100, só para que eu pudesse curtir muito mais aquela energia fascinante!

Assim que o árbitro Henrique França Triches apitou o final do jogo, tirei a minha camisa rubro-negra, escondi novamente na bermuda e segui com passos rápidos para o Terminal do Cabral. Desta vez, a caminhada foi muito mais leve e tranquila. Eu sabia que aqueles momentos seriam eternos e que algum dia eu iria poder contar para alguém que eu estava lá, cantando e vibrando na casa do principal adversário do meu Furacão. Para a minha sorte, não encontrei nenhum torcedor do Coritiba no trajeto, pois o sorriso estampado no meu rosto era típico dos vencedores e representava muito mais do que a camisa que eu queria estar vestindo naquele momento. Cheguei em casa sem problemas e tive a melhor noite de sono da minha vida, embalado pelos gritos da nação atleticana!

 

A magia acabou

Junto com esta história, eu deixo o meu repúdio aos presidentes da Federação Paranaense de Futebol e da dupla Atletiba. No próximo domingo, dia em que teremos o clássico número 350, o futebol paranaense vai morrer mais um pouco ao vivenciarmos mais um Atletiba com torcida única! Os atleticanos perderão uma grande oportunidade de viver um momento inesquecível e incomparável, como o vivido por mim há pouco mais de 13 anos!

 

Para os amigos torcedores do Coritiba, peço que se preparem para um clássico sem graça. Eu estava no primeiro Atletiba do ano, sem vocês no outro lado do estádio, e garanto que foi um dos dias mais deprimentes da minha vida. Infelizmente, esta medida REVOLTANTE comprova que o poder público e os clubes não consegue ser eficientes no combate ao vandalismo, jogando a culpa nas costas dos torcedores e acabando com a grande magia do futebol: a rivalidade!

 

Saudações rubro-negras!!!

Edu Betinardi

Twitter: @EduBetinardi

Autor do post:
Bruno Filgueiras

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