O CAP E O BNDES

Caros leitores, creio que muitos ficaram perplexos, assim como eu, com a nota divulgada ontem (09/04) pelo BNDES desmentindo o que Petraglia havia informado na semana passada, a aprovação do empréstimo para conclusão de nosso templo sagrado.

 

Por isso, relato aqui, na íntegra, material enviado pelo atleticano e ex Diretor Administrativo e Financeiro do BRDE, Amadeu Geara. Ele consegue nos mostrar com clareza o que de fato aconteceu.

Com a palavra Amadeu Geara:

Companheiros Atleticanos, confesso que torço muito para que todas as dificuldades que existem para a reforma do Estádio Joaquim Américo Guimarães sejam superadas.

É sabido que não confio no Petraglia em razão dos métodos que usou para desmerecer a diretoria anterior e os ardis que empregou para vencer as últimas eleições. Apesar de tudo, é evidente que as pontes foram queimadas e não há caminho de volta. Não resta alternativa senão encontrar o dinheiro necessário para executar um projeto (o qual até agora não foi minimamente explicitado).

Dia 5 o Petraglia distribuiu nota oficial dizendo:

PRESIDENTE PETRAGLIA ANUNCIA A APROVAÇÃO DO FINANCIAMENTO PARA A ARENA DA BAIXADA PELO BNDES

“O BNDES nos enviou informação oficial de que, em reunião nesta manhã, aprovou o financiamento solicitado pela Agência de Fomento S/A e que será repassado à CAP S/A – a Arena dos Paranaenses – nos valores e condições solicitados”. (grifei)

Não é verdade.

Ou o Petraglia não entendeu a informação do BNDES ou entendeu e usou a sua contumaz astúcia para distorcer um fato de acordo com o seu interesse promocional, pouco se importando com a verdade.

Acredito na segunda conjetura: o fato foi distorcido, desvirtuado, forjado.

E digo isso sem medo de errar, pois a Fomento Paraná publicou no dia 05 nota com o título:

MAIS UMA ETAPA VENCIDA: APROVADO O ENQUADRAMENTO DA PROPOSTA DE EMPRÉSTIMO DAS OBRAS DA ARENA DA BAIXADA PARA COPA 2014. (grifei)

A PROPOSTA NÃO FOI APROVADA, FOI ENQUADRADA!

Há diferenças enormes entre as duas coisas, são etapas distintas e o fato da proposta ter sido enquadrada, não significa que ela foi aprovada.

A realidade é que os pedidos de empréstimo passam por diversas fases no BNDES:

1ª. – a CONSULTA PRÉVIA quando os analistas do Banco fazem uma pré-avaliação da capacidade do solicitante para executar o projeto, exame minucioso da finalidade do financiamento, a adequação as políticas operacionais/programas, classificam o risco, examinam os dados cadastrais, as demonstrações contábeis e as informações financeiras. O enfoque principal é a viabilidade econômica da proposta apresentada Antes de encaminhar para a Diretoria do BNDES o Comitê elabora um documento chamado Instrução de Enquadramento, sugerindo limite do crédito a ser aprovado pela Diretoria.

2ª. Aprovado pelo Comitê o ENQUADRAMENTO é a etapa seguinte, a análise do crédito propriamente dito. Até agora o pedido da Fomento/CAP era uma CONSULTA, mas agora passa por essa fase importantíssima, na qual será analisado o PROJETO para o qual se destinam os recursos. O CAP S/A receberá do BNDES a Carta de Enquadramento e só então encaminhará o projeto detalhado da reforma do Estádio. Esse projeto normalmente é amplamente discutido e negociado entre a Área Operacional do Banco e o cliente, até a conclusão do Relatório de Análise. Nessa fase deverá ser seguido o “Roteiro de Informações para a Apresentação do Projeto”.

3ª. APROVAÇÃO. Depois que o colegiado de diretores do BNDES aprovar a operação de crédito há outras etapas: a contratação, a liberação e o acompanhamento.

Enfim: agora – APÓS O DIA 05 – é que começa prá valer a análise do projeto e da operação

O tempo para a conclusão dessa fase depende da complexidade da proposta. Não esqueçamos que é indispensável a licença ambiental.

A conclusão da CONSULTA PRÉVIA demorou NOVE MESES. Foi encaminhada pela Fomento em agosto de 2011.

A CAP S/A terá que comprovar que tem disponibilidade de recursos próprios necessários à realização do empreendimento.

Aprovada a operação pela Diretoria do BNDES, haverá a assinatura do Contrato de Financiamento.

Depois de registrado o instrumento contratual, devem ser atendidas as condições prévias de desembolso para liberar a 1ª. Parcela.

Os recursos não serão liberados imediatamente. Os repasses financeiros serão liberados conforme o cronograma de execução do projeto

Nesta fase não se sabe qual o valor será aprovado, quais os encargos financeiros, quais as condições para liberação das parcelas, etc.

Relembro uma vez mais que Mário Celso Petraglia disse ao Conselho Deliberativo que a Agência de Fomento ficaria encarregada da análise e da aprovação do crédito, assim como ofertaria ao BNDES as garantias, assumindo o risco da operação. Ora, nessa mesma reunião de 25/agosto/2011 fez afirmação que reproduzo:

“… todos sabem que um financiamento do BNDES você não toma, por mais ágil, mas competente, mais segurança, você leva seis, oito, dez meses e prá isso nós precisamos fluxo de caixa. Então. Conversamos com o Governo e a Secretaria de Finanças (sic) está disposta a fazer um repasse do Tesouro ao DFE, para que o FDE nos repasse esse valor, até que o financiamento do BNDES saia.”

 

Diante desse disparate, inaceitável para quem tem um mínimo de conhecimento da coisa pública, entreguei ao presidente do Conselho Deliberativo cópia de carta que enviei ao conselheiro Petraglia, com os seguintes questionamentos:

1º. – Essa “conversa” com o Governo aconteceu através do secretário Luiz Carlos Hauly, ou com o presidente da Fomento S/A, dr. Juraci Barbosa Sobrinho?

2º. – De quanto será esse “repasse do tesouro estadual” ao FDE?

3º. – Que tipo de instrumento será utilizado pra o repasse do FDE ao Atlético?

4º. – Desde a liberação do repasse do FDE ao Atlético, que encargos terá o Atlético até que saia o financiamento do BNDES?

Todos sabem que o Petraglia jamais respondeu a essas coisas, características dos meios que usou para ganhar a eleição.

Abraços a todos.

Amadeu Luiz De Mio Geara

Conselheiro já em 1987, ex-presidente do Conselho Fiscal

 

 

 

 

 

 

Autor do post:
Bruno Filgueiras

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5 Comentários

  • Cézar Rinaldin

    avisa o A.G. que choro de perdedor não conta. Ele sempre teve intere$$e que a OAS assumisse a obra. Foi fragorosamente derrotado dentro do próprio conselho. Outra coisa ele é EX Conselheiro e não como quer passar a impressão: conselheiro desde 1987. E daí??? Isso só prova que não fez coisa nenhuma durante os anos de conselho. Quando tentou algo apanhou mais que bode amarrado. Vai chorar na cama que é lugar quente prá perdedor. A única coisa que conta no currículo desse senhor é que ele conseguiu quebrar a maior revenda chevrolet do Brasil. Isso não é prá qualquer um não….

    • Bruno Filgueiras

      Cezar, você com certeza se confundiu com o Geara, o que escreve é o Amadeu, não o Gláucio!
      O que o Amadeu quis explicar nesse contexto é que ainda faltam algumas etapas e temos que, como atleticanos que pensam em prol do clube, pensar no bem do clube.
      Ninguém aqui torce para que a Arena não seja construida. Porém, temos que ser coerentes e pensar no futuro do clube.
      SRN

    • Carlos Alfredo

      Esse caraé um louco, um lunático… O perfil do mcp se apoxima muito a de lideres ditadores e tiranos que foram derrubados pelas suas próprias astúcias… Como o mafuz já comentou… Dve ter lido muito maquiavel!

    • Gustavo Barbosa

      Uma palhaçada tudo isso. Quem tem um mínimo de vergonha na cara, fica ruborizado de ver tanta falcatrua, tanta mentira, tanta vaidade.
      Mas pra quem sempre dependeu de ajudas externas, nada mais normal.