Especial Libertadores Episódio II – Copa do Brasil 2008

O Corinthians vivia um momento diferente em sua história. O sentimento do patriotismo corinthiano estava em alta, pois a equipe vinha de um ano difícil, bagunçado, que resultou na queda para a série B. E como todo grande clube que um dia teve o desprazer de passar por esta fase na vida, a torcida abraçou o time e caminhou unida pelo martírio lamacento da Segunda Divisão.

A torcida estava disposta a apoiar o tempo todo, um mar de camisetas brancas escritas “Eu nunca vou e abandonar, porque eu te amo” tomou as ruas e os estádios, numa união capaz de ultrapassar barreiras impossíveis e inimagináveis, como por exemplo a barreira de se classificar para a Libertadores mesmo numa divisão inferior. E a Copa do Brasil dava esta possibilidade.

Chupa que é de uva

Foi pensando na única oportunidade de se classificar para a Libertadores naquele ano que o Corinthians entrou de cabeça no torneio, disposto a buscar na raça e na alma este título. Era a vigésima edição da Copa do Brasil e na ocasião, já não contava mais com os clubes que participariam da Libertadores por conta do calendário apertado. Iniciamos bem com um 6 x 0 em cima do Barras do Piauí e logo em seguida eliminamos o Fortaleza em dois jogos.

Nas oitavas de final, pegamos o Goiás, um dos algozes do descenso do ano anterior. Era um time com Paulo Baier (sempre adorou marcar gols no Corinthians), Alex Dias e Schwenck. No primeiro lance do jogo o Corinthians quase marca com Fabinho, o que animou a equipe a buscar um bom resultado fora de casa. Mas aos poucos o Goiás foi dominando as ações e impondo seu jogo. Aos 38′ do primeiro tempo, Paulo Baier cobra falta que desvia na barreira e engana o goleiro Felipe. Quatro minutos depois, Paulo Baier novamente aproveita uma distração da defesa corinthiana e amplia completando para o gol uma bola cruzada. No segundo tempo o Corinthians diminuiu com Diogo Rincón, dando esperança à Fiel. Mas logo em seguida, Evandro fez o terceiro numa bela jogada em cima do Willian. Final, 3×1 para o time do centro oeste e um grande passo para a classificação. Na saída, dirigentes do Goiás tiraram um sarro mandando um Chupa que é de Uva, em alusão ao grito da torcida e do terceiro uniforme que o Corinthians havia lançado na cor roxa.

Jogo de volta no Buffet da Vila Sônia, mais de 50 mil corinthianos na esperança de uma difícil virada. O Corinthians mordido com as declarações dos dirigentes alviverdes. Todo o ambiente durante a semana serviu para incendiar ainda mais a equipe corinthiana. O Corinthians foi fulminante e aos 30′ minutos, eu disse 30 MINUTOS DO PRIMEIRO TEMPO, já vencia o jogo por 4×0 com dois gols do Diogo Rincón, um do André Santos e outro de Herrera. Troco com juros, correção e uma uva verde bem saborosa degustada pelo goleiro Felipe ao final do jogo. O Corinthians estava forte e empolgado para seguir adiante na Copa do Brasil.

O gol do título

Nas quartas de final a equipe despachou o São Caetano com duas vitórias, 2×1 e 3×1 respectivamente. Nas semi, contra o Botafogo, talvez o jogo mais difícil antes das finais. Com uma derrota no Rio e uma vitória em São Paulo, ambos por 2×1, a decisão foi para os pênaltis com vitória do Corinthians por 5×4 e a classificação merecida à final.

O adversário era o Sport de Recife, que já havia eliminado Palmeiras, Internacional e Vasco da Gama até ali. Um verdadeiro matador de gigantes. Mas o favoritismo era do Corinthians por ser o clube de maior tradição do embate mesmo estando na segunda divisão. E de fato o Corinthians fez valer na prática a teoria. Jogando bem, dominou as ações e se impôs desde o início. O Sport em nada lembrava o matador de gigantes das fases anteriores e aos 18 minutos, a insistência corinthiana resultou em gol. Cobrança de escanteio, numa bate rebate a bola sobra para Dentinho que abre o marcador. Logo em seguida, aos 22´ minutos, Herrera num contra ataque puxado por Carlos Alberto, faz o segundo gol levando a Fiel ao delírio. No segundo tempo o raçudo Herrera rouba a bola no meio campo, num lance brigado e de raça, corre com a bola e deixa Acosta livre para fazer o terceiro. Era praticamente decretado o título ao Timão, que com um 3 x 0 poderia perder de até dois gols em Recife que ficaria com o título. E tinha a possibilidade de fazer um gol, neste caso, o Sport teria que fazer cinco para levar a taça.

A torcida comemorava e o time tocava a bola. O Sport foi pra cima e tentava de todas as formas fazer ao menos um gol. O Corinthians se segurava sem muito esforço. Aos 45 min, Carlinhos Bala recebe na meia lua numa bola sobrada, dribla o zagueira e toca para Enilton, sozinho, empurrar no canto direito do Felipe e diminuir o marcador. O estádio calou-se e a preocupação com este gol tomado tinha sentido. O Sport venceu todos os seus jogos em Recife por pelo menos dois gols de diferença. Usava muito bem o fator casa para matar seus adversários. Carlinhos Bala no final do jogo disse que aquele gol era o gol do título, que o Sport reverteria o placar adverso em casa.

O Corinthians havia vencido por 3×1 mas a confiança do Sport era tanta que parecia que o jogo tinha sido empate ou derrota por um placar mínimo. Mas o jogo precisava ser jogado. O Sport precisava mostrar em campo sua força e foi neste clima que o segundo e decisivo jogo teve início em Recife. Com mobilização de boa parte da região nordeste, o Corinthians esta em um ambiente realmente muito hostil. O Sport trabalhou para não deixar o Corinthians em paz, tanto dentro como fora das quatro linhas. Jornalistas e blogueiros escreviam asneiras atrás de asneiras, tentando levar o clima para um lado mais regional, como se fosse Nordeste contra Sudeste. Um confronto não só de clubes, mas de culturas. Aos 34′ min Carlinhos Bala abre o placar num chute cruzado em que o Felipe ainda tocou na bola mas não evitou que ela balançasse a rede. Aos 37′ o Sport chega ao segundo, num escanteio cobrado, desviado pela defesa, Enilton de primeira acerta um chute quicado que passa por baixo das pernas do Felipe.

No segundo tempo o Corinthians tentou de todas as formas fazer pelo menos um golzinho no Sport e foi muito prejudicado pela arbitragem tendenciosa. Num
lance mais absurdo, Acosta foi derrubado na entrada da área num pênalti claríssimo e nada foi marcado. O jogo ficou ainda mais nervoso, o Wellinton Saci foi expulso e o jogo terminou. Fim. Sport campeão da Copa do Brasil 2008.

Ao Corinthians restava manter o ânimo para a disputa da Série B, que rolaria por longos seis meses ainda, e por mais que não tivesse conquistado aquele título, o Corinthians mostrou ao Brasil que tinha sim um time de Série A, que a passagem pela segunda divisão era apenas para mostrar ao país que quando se cai de pé, os momentos difíceis se tornam oportunos para uma virada histórica que estaria por vir. Os adversários que riram na queda, mal sabiam que ali era o início do despertar do MAIOR CLUBE DO BRASIL.

CORINTHIANS GRANDE!!

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Autor do post:
Julio Cesar

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