Glória e Paixão – O último jogo antes do resto de nossas vidas

O último jogo antes do resto de nossas vidas

Dia desses eu estava pensando no que diria para a Fiel Torcida e para todos os meus raros leitores, aqui neste espaço, caso o Corinthians realmente chegasse a final da Taça Libertadores da América.
Pensei que, com o peito cheio de amor e emoção, seria fácil falar sobre o quão mágico é o momento que se aproxima. A sensação de andar nas nuvens, o grito de “Vai Corinthians” a cada bandeira que vejo tremulando nas ruas da cidade, o aceno discreto ao encontrar outros iguais, com o manto sagrado, seja no ônibus, no shopping, nas avenidas…
Mas é provável que o sentimento que tenha se instalado em mim não seja reconhecido como tal, no dicionário ou na anatomia. É um sentimento que se convencionou chamar de Corinthianismo, e que nem os que sofrem e sorriem com ele sabem bem o que é… Mas o sentem a flor da pele.
Já perdi o ar por ti, Corinthians. Quantas incontáveis vezes chorei por você, no amor e na dor?
Já cruzei fronteiras para te ver jogar e gastei o que tinha e o que não tinha em ingresso, passagem e aquele lanche de pernil na porta do estádio.
Já fugi da polícia por nada ter feito em estação de metrô só por ser Corinthiano. E já fugi de algumas dezenas de compromissos para te ver jogar, em TV de 14 polegadas, no boteco mais próximo da onde estava, meio escondido. É que, na verdade, eu estou mesmo é perto de você o tempo todo.
Teve uma vez, eu me lembro como uma de minhas primeiras memórias, que vi meu pai chegar da rua com uma caixa de sapatos – ainda sem embrulhar – e gritar para mim: “É teu presente!”
– De aniversário?
– Não. De Corinthianismo.
E dentro da caixa havia uma camisa número 1, do querido Ronaldo Giovanelli, um par de luvas e um calção preto.
E eu passei o resto daquele ano me atirando pelo corredor gritando “Espalmaaaaa Ronaldo”, vivendo a doce emoção de ser o José Silvério e o melhor goleiro da história do Corinthians ao mesmo tempo.
Mais velho, me recordo da minha mãe entrando pela casa com uma bandeira do Corinthians para mim. Presente de aniversário? Claro que não. Era só Corinthianismo mesmo…
E promessas? Quem nunca?
Em razão do título mundial, atravessei a avenida da praia nu e fui tomar banho de mar. Ali, vestia o orgulho de um povo e nada mais.
Também gosto da relação de amor que tenho com meu radinho de pilha. Aquele em que o gol é mais emocionante e a escalação mais demorada. Aquele aparelho velho que eu grudo com tanta força junto a minha cabeça em partidas tensas e que, por isso, o mesmo até já encaixa na minha têmpora.
Camisas no armário são diversas, pôsteres, canecas, enfeites, tudo… Mas os adereços que estão na alma são infindos.
No centenário, subi o Monumento a Bandeiras para gritar parabéns ao Timão e soltar morteiro. Não por suas incontáveis glórias. Mas pelo fato do Corinthians existir. Por si só, suficiente.
Poderia discorrer aqui tantas emoções e abraços com amigos e desconhecidos em cada gol. E lamentos doídos e desesperadores nas grandes tragédias. Só que hoje não é exatamente disso que eu estou falando…
Na verdade, nem eu sei bem do eu quero falar agora… Hoje mal tenho falado e muito tenho sentido. E sei que o texto não está lá com muita forma, sentido ou conteúdo. É só uma grande mistura de muito amor, paixão, devoção e memórias em algumas mal traçadas linhas. É só o filme de uma vida.
E arrepia pensar que, na próxima quarta-feira, cada corinthiano vai ver sozinho, em pensamento, o próprio filme de sua vida no instante em que o juiz apitar o começo do jogo e, no segundo seguinte, vai viver junto com o time (e toda uma nação) um dos momentos mais esperados de sua história centenária.
O que acontecer do apito final em diante é só o resto de nossas vidas.
E o resto de nossas vidas é ao seu lado, Corinthians.
Dono do Brasil, da América ou do Mundo é efêmero. Dono do meu coração é eterno.
Salve o Corinthians, eternamente dentro de nossos corações.

Tchelo Rodrigues (@tche_rodrigues) assina a coluna “Glória e paixão” na Geral do Corinthians, todas às sextas-feiras.

Autor do post:
Sandro Terranova

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8 Comentários

  • Anna

    Sempre me emociona!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • Avelino

      Salvei nos meus favoritos. Lindo.

      • Ronaldo

        Amigo Sandro, estranho chamar alguem de amigo sem almenos o conhecer….mas por nossa religião chamado Corinthians me sinto no direito, li várias coisas , muitos escreveram mas nenhum em minha opinião, falou com o coração como você falou do nosso Corinthians oque estamos sentindo é isso mesmo uma mistura de sentimentos ,uma alegria um sonho que a cada dia fica mais perto…… para o Corinthiano o simples fato de ouvir o hino hoje já nos enche os olhos de lagrimas , documentários na tv nem se fala tudo nos emociona …..e o mundo que aos poucos vai mudando e porque conosco seria diferente , a torcida que era chamada de favelado, ladrão , hoje é outra ….sem estadio quem ousa falar isso agora…….e agora , com essa conquista oque irão falar ???? para nos Corinthians é apenas mais um titulo esperado , desejado…….. para o resto pode significar o fim do mundo !!!!!! e se Deus quiser , e com a ajuda do nosso São Jorge guerreiro ,seremos Campeões !!!!!!!!!! Vai Corinthians eternamente dentro dos nossos corações……..

        • Bruce

          Ahh moleque, assim o coração do tio não aguenta….lindas letras, parabéns

          • Paulo C. T.

            É emocionante como Tchelo brinca com as palavras. Amei muitao!

            • Ana Paula Pazini

              Simplesmente …amei…..Tchelo…fiquei com a garganta apertada……

              • Cláudio José Alves

                Para quem nasceu Corinthiano como eu, 20 de abril de 1953, época de Cláudio, Luizinho, Baltasar, Carbone e tantos outros, o meu nome vem desta paixão chamada Corinthians.
                Ler este texto me leva a rever as memórias de minha vida. Parabens.

                • Lucia Luma

                  Lindo esse texto,lembro-me dos jogos de meio de semana,quando o timão ganha,durmo com o radinho no ouvido,escutando os gols e os comentários.Coisa de bando de louco.