Hoje é dia de Corinthians – Capítulo Final

A escrita termina hoje. Uma história iniciada há exatos 141 dias com seus primeiros capítulos sendo escritos para que chegasse neste dia 04/07 com a obrigatoriedade de ter um ponto final. Ou seja, de hoje não passa. Calaremos ou não o Boca?

Talvez hoje seja mais difícil de escrever. Onde arrumar inspiração sendo que sua cabeça não funciona? Bloqueada pelos pensamentos que não saem do Pacaembu lotado? Vislumbro vitória fácil, difícil, sofrida, tranquila… o final não sabemos, mas as páginas contadas até agora não mudarão. Já entraram para a história.

E é o final desta história que o Corinthians fará parte hoje. Pode não ganhar, pode vencer, o esporte é assim. Tudo vai depender do psicológico, da estratégia e competência do time no momento do jogo. Mas se o Corinthians for campeão, será um título memorável não só pelo fato de ser o primeiro, mas como ele foi escrito, como ele foi desenhado.

Estes capítulos finais carregam páginas e páginas de dramatização e não poderia ter sido melhor escrito até agora. Nem Scorsese, nem Quentin Tarantino e muito menos Tim Burton conseguiriam traçar uma trajetória tão magnífica.

Primeiro Capítulo – A estreia freada
O Corinthians inicia com o pé no freio e tenso. Todos os olhos voltados para a equipe que apresentava desconfiança até mesmo para passar da primeira fase. Leva um gol estranho logo no início, mas empata aos 48 minutos do segundo tempo com o Ralf de cabeça.

Segundo capítulo – Tchau Primeira Fase
O Timão enfim se classifica para as oitavas de final de forma tranquila. Mas a tensão ronda os ares pois os times enfrentados até então não exigiram tanto do time corinthiano.

Terceiro capítulo – Oitavas do Tabu
Desde 2000 que o Corinthians não passava das oitavas de final. Um tabu que incomodava e assombrava a equipe do Parque São Jorge. Depois de um empate sem gols no Equador o Corinthians despacha o Emelec com um 3 x 0 nem tão tranquilo como o placar sugere.

Quarto capítulo – A teima do tira teima
Em um jogo truncado e com poucas chances de gol, o Corinthians empata com o Vasco no Rio e leva para o Pacaembu a decisão da classificação. Mas um lance inusitado gerou muito blá blá blá a semana inteira. O Vasco teve um gol anulado devido a um impedimento dificílimo, marcado pelo árbitro, mas percebido apenas pelo Tira Teima. Eis que surgem os experts em softwares tentando encontrar falhas no programa que confirma o lance. O que os olhos não querem ver, a mente jamais aceitará.

Quinto capítulo – Gigante Cássio
Rolava o segundo tempo contra o Vasco no Pacaembu, o jogo estava 0 x 0, eis que numa falha individual de Alessandro, Diego Souza pega a bola e caminha sozinho mais de meio campo em direção ao goleiro Cássio. Aqueles segundos calaram a Fiel, talvez a única vez que não ouvimos uma só voz no Pacaembu. Aqueles segundos viraram horas, quando enfim Diego Souza chega próximo ao goleirão, que como um Gigante fecha o ângulo e trisca na bola após a finalização do atacante. Talvez até ali, o momento mais dramático do Corinthians.

Sexto capítulo – Nos braços do povo
Tite é expulso e vai assistir o restante da partida nos braços da Fiel, como um torcedor comum, sofrendo, roendo as unhas, gritando, xingando o árbitro (dali ele podia xingar sem ser expulso) e vendo como é difícil a vida de torcedor corinthiano.

Sétimo capítulo – Paulinho da Fiel
Alex bate escanteio e Paulinho de cabeça sacramenta a classificação da equipe para as semifinais. Na comemoração sobe no alambrado e abraço um torcedor em uma das cenas mais marcantes desta Libertadores.

Oitavo capítulo – Ambiente hostil
Em um ambiente totalmente desfavorável, desde a sua chegada à cidade até o apito final do árbitro, o Corinthians talvez tenha sentido o que de fato é jogar a Libertadores da América. Sofrendo com objetos e até capacete da polícia atirados em campo, com apagões em momentos estranhos da partida, fogos de artifício no hotel hospedado, o Corinthians deu de ombros e venceu o Santos, atual campeão, na Vila Belmiro com um golaço do Sheik.

Nono capítulo – Ambiente favorável
Foi a vez do jogo de volta, mas desta vez com iluminação, estrutura e uma partida de futebol jogada. Neymar até tentou, mas não foi páreo para Danilo e cia. E a partir deste jogo a história do Corinthians entrou na reta final, como nunca aconteceu antes. Pela primeira vez o Corinthians estava na final da Libertadores da América.

Décimo capítulo – Se for para escalar que seja o Everest
Não basta estar na final, não basta sofrer em jogos dramáticos, não basta enfrentar o melhor time do Brasil, esta final tinha que ser contra o Boca. Isto gerou uma mobilização de busca de passagens aéreas à Buenos Aires, uma corrida louca para comprar pacotes, mesmo com preço abusivos e pessoas mesmo sem ingressos viajando apenas para acompanhar o time. Várias histórias que foram geradas e postadas em blogs, redes sociais, etc.

Décimo primeiro capítulo – O filho do Romário
Na primeira partida tinha corinthianos até na torcida do Boca, quietos para não chamar a atenção. Do lado alvinegro, num espaço destinado a 2450 pessoas, tinha pelo menos 3,5 mil (relatos de pessoas que estavam lá). Teve gente que comprou policiais por uns pesos, gente que comprou na torcida do Boca e foi realocado para lá, ou seja, historias e mais historias que dariam 100 livros diferentes. Eis que surge um menino, contratado junto ao Bragantino, que recebeu uma fama ao fazer dois gols no Palmeiras… eis que surge um garoto que tomou o lugar do Willian no banco do time, na Argentina, em Buenos Aires, na La Bombonera… eis que surge um menino que entra no segundo tempo com o resultado adverso. Como um atacante com uma experiência de 3 Copas do Mundo, como o seu “pai”, dá uma cavadinha e empata o jogo, calando o estádio pulsante de La Boca. Aaaaaah Romarinho…

Capítulo Final – A Ele pertence
Acredito que este último capítulo já tenha seu destino traçado. As linhas já estão escritas mas o privilégio deste final está nas mãos Dele. Lá em cima ele só nos observa. Nós, meros mortais que sonhamos com previsões que Ele já sabe, apenas acompanha do seu camarote celestial nossas reações, nosso sofrimento por não termos o dom de saber o que acontecerá com esta cidade após o apito final.

Seja um mar de lágrimas lamentadas, seja um mar de lágrimas felizes, só temos uma certeza: a cidade será inundada como nunca foi em toda sua história. Com ares de tensão, com olhares mundiais, com mobilizações nacionais e com uma só certeza, ninguém terminará este dia indiferente.

Isto é Corinthians, aqui é Corinthians

Seja o que DEUS quiser e VAAAAAI CORINTHIANS.

CORINTHIANS GRANDE!!

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Autor do post:
Julio Cesar

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