50% volante, 50% zagueiro, 100% Guerreiro

Guerreiro. (Foto: Washington Alves / VIPCOMM)

Gosto de três estilos de jogador de futebol: 1) Praticante do futebol arte™; 2) Mascarado; 3) Louco, daqueles que saem batendo no adversário e/ou arrumando encrenca. São esses tipos de jogadores que animam o futebol, que despertam sentimentos nas torcidas. É possível encontrar mais que um desses estilos em um mesmo cara, como também pode-se não encontrar nenhum deles, o que, pra mim, significa que o cara está fadado ao fracasso no futebol, na vida.

Talvez por causa dessa minha visão do mundo da bola, eu não sou fã de Leandro, o Guerreiro. Como todos sabem, ele não pratica o futebol arte. E não é mascarado, nem louco, embora tenha tido a oportunidade de ser as duas coisas quando cultivava a aparência de samurai. Desculpa, mas não consigo me entusiasmar vendo Leandro Guerreiro no meu time. E peço desculpa porque me constrange não ser fã de um cara que vemos que é sério, dedicado e que faz o possível pra honrar o manto celeste.

Por esse empenho que possui, Guerreiro está sempre disposto a colaborar com o time do jeito que o técnico quiser, tanto que jogou até como lateral-direito nos tempos do Seu Cuca. Mas, desde quando jogava no Botafogo do meu pai, Leandro é mais acostumado a sair da sua posição de volante para jogar como zagueiro. E é por essa improvisação que ele passa no Cruzeiro depois que Victorino & Léo passaram a formar uma espécie de dupla de sertanejo universitário no departamento médico e que Roth descobriu que Rafael Donato e Mateus estão na profissão errada em vez de serem, respectivamente, segurança de boate e servente de pedreiro.

Leandro Guerreiro não é daqueles volantes que são chamados de volantes modernos, que sabem marcar e sair bem para o jogo. Na minha opinião, ele não faz bem nenhuma das duas coisas. Apesar de virar bem o jogo de vez em quando, Guerreiro perde de muito em saída de bola para o seu antecessor Marking Paraná. E, como volante, não gosto dele marcando individualmente – lembre-se de Seedorf no Independência – e acho que ele recua demais, mesmo para um primeiro volante, dando campo para os meias-atacantes adversários avançarem, o que também não o faz ser um bom marcador por zona. Então, quando joga como volante, Guerreiro se posiciona quase como zagueiro que fica na sobra, e acho que é aí que está a explicação para ele estar se saindo bem na zaga.

Claro que depois do que Donato e Mateus jogaram contra o Santos – não foi só qualidade do Neymar –, qualquer mudança seria boa. Mas Leandro Guerreiro está fazendo boas atuações com a camisa 4. Tem se posicionado bem – coisa que não faz como volante, como eu disse antes –, corta quase todas as bolas possíveis e passa segurança com sua experiência. O chassi de grilo é um dos poréns para que ele exerça completamente bem todas as funções de zagueiro. Só força não adianta, vide Rafael Donato, mas se o Leandro tivesse tomado umas boas colheradas de Biotônico Fontoura na infância, seria o zagueiro ideal. Guerreiro também alega uma certa dificuldade para fazer linha de impedimento, só que isso qualquer um é capaz de aprender, menos o Diego Renan. Agora, força ele não vai conseguir ganhar.

Ao ser questionado pela imprensa se prefere continuar a jogar como zagueiro ou voltar a ser volante no ano que vem, Leandro Guerreiro respondeu:

“Estou 50% para um lado e 50% para o outro.
Quero sempre ajudar, honrar essa camisa.”

Sem ter a intenção, Leandro Guerreiro se definiu bem como eu o vejo: Ele não é um volante completo, ele não é um zagueiro completo, mas é um jogador sempre disposto a ajudar. E, inegavelmente, essa disposição tem seu valor, apesar do futebol não sobreviver disso.

Abs.

Autor do post:
Rafael Igor

Deixe seu comentário

(Obrigatório)
(Obrigatório, Não será publicado)
Notificar por e-mail

2 Comentários