Acabou o jejum. Mas o futebol ruim continua. [Cruzeiro 2 x 0 Portuguesa – Brasileirão 2012]

Montilo e suas comemorações sem sentido. (Foto: Celio Messias/Gazeta Press)

Num jogo típico desse Cruzeiro de um só tempo, conseguimos finalmente vencer. Foi apertado, suado, bem parecido com o que estamos acostumados. Um Cruzeiro que entra bem, trocando passes, com Montillo e Éverton ameaçando a defesa adversária, mas MORRE no segundo tempo e dá TODAS as chances para seus adversários virarem a partida.

Ainda bem que enfrentamos a Portuguesa. Uma equipe mais forte com certeza viraria aquela partida, como o Grêmio fez no último sábado. Estou começando a suspeitar que Celso Roth treina esse apagão no segundo tempo. Ele provavelmente ensina aos jogadores como jogar muito mal depois de marcar um gol, não é possível:

“Oh, Guerreiroo, erra esse passe de meio metro, tchê, mata essa bola na canela”, ele grita. “Montilloo, tu tas jogando muito bem. Pode parar com isso,” ele reclama. “Isso Marcelo Oliveira, não acompanha o atacante, isso mesmo, certinho. Tá vendo gente, vocês tem que jogar o segundo tempo igualzinho ao Marcelo.”

Se não for isso, suspeito que ele apenas pede para o time recuar. Coisa que o Cruzeiro não sabe fazer. Recuar, para o Cruzeiro é dar chutão, se livrar da bola e ficar parado esperando o adversário. E isso leva à pressão. Eles vão lançar a bola na área, eles vão chutar de fora da área, eles vão colocar mais um atacante. E é assim mesmo. Se o time quer recuar – e eu acho que deve – ele precisa APRENDER a recuar. Aprender a jogar atrás. Coisa que o Fluminense faz muito bem.

Acho que isso é mais ou menos o que define o Cruzeiro de Roth. Um time que tem uma mentalidade (defensiva), mas não sabe aplicá-la. Se você pegar os times de Roth, e pela sua fama, vai ver que é um treinador que gosta mais da parte defensiva do jogo. E isso não é nenhum demérito. Só que esse Cruzeiro não foi projetado para defender. O time vem, desde 2007 (para ser mais atual, pois o Cruzeiro quase sempre foi assim) privilegiando mais o ataque que a defesa. E as equipes montadas, até 2011, refletem isso. O Cruzeiro sempre teve um time forte do meio pra frente, que jogava com velocidade, pelos lados, com atacantes e meias habilidosos. E Roth pegou um resquício desse time – treinado por Cuca e destruído por Mancini – e mandou todo mundo voltar, jogar atrás, marcar em primeiro lugar. Não era pra dar certo. E não está dando certo. Até o presidente admitiu – falando pelos cotovelos – hoje.

Mas isso é papo para outro dia. Isso é um pós-jogo, você quer ver bola na rede, e não um louco divagando sobre Celso Roth.

Começamos a partida muito bem, trocando passes, ameaçando, criando algumas boas chances. Montillo estava muito bem, caindo pelos dois lados. Às vezes ele pegava a bola na esquerda, virava o jogo e ELE MESMO estava lá para dominar seu próprio passe na direita. Era incrível. E por falar em incrível (levantei a bola para mim mesmo), continuo impressionado com a fase do Éverton. Ele está jogando muito bem, controlando o jogo pela esquerda, apoiando com qualidade, levando o time ao ataque. É uma válvula de escape importante para o Cruzeiro hoje em dia.

Foi dele que saiu o bom passe para a cabeçada de Borges, que foi interceptada pela mão do zagueiro da Lusa. Pênalti bem marcado. Montillo, o pior batedor de pênaltis da história, foi para a cobrança, contra Dida, o melhor pegador de pênaltis da história. Tinha tudo pra dar errado. Mas ele cobrou muito bem e marcou nosso primeiro gol. Depois comemorou ridiculamente, imitando um canguru/coelho (?!?). A história por trás da comemoração, contada pelo próprio Montillo, foi que Marcelo Oliveira perguntou sobre a comemoração do cavalinho. Aí Montillo, que é completamente louco, disse que o cavalinho tava machucado e que ia comemorar seu gol como um canguru. Vai entender.

Outra coisa que não entendo (levantei a bola de novo, agora meio forçado) é como o Cruzeiro volta mal para o segundo tempo. Já disse acima o que acho que pode estar acontecendo e não quero me alongar, mas o time pede para perder. O Cruzeiro para de atacar, vive dando chutões para frente e sofre muito com a pressão do adversário. Se não fosse pelo Fábio, teríamos sofrido o empate e/ou a derrota. No fim, Souza recebeu belo passe de Martinuccio – que entrou muito bem novamente – e marcou o segundo gol do Cruzeiro, o gol mais injusto da história. Mas como não existe justiça no futebol, vencemos. Jogando mal, com a zaga completamente desarrumada no segundo tempo, mas vencemos

Autor do post:
Michael Renzetti

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2 Comentários

  • lenilson cabral bezerra

    o meu cruzeiro começo a jogar bola ;coisa que ele nao fazia a muito tempo gostei de ver o meu cruzeirao jogar um bolao contrar portuguesa valeu. ass;o cruzeirense apaixonado pelo o cruzeiro esporte clube ;lenilson . rua das madressilvas 39 cohab macau -rn.

    • Éden

      Outro sufoco mas pelo com 3 pontos

      O pior é depois assistir Inter x Gaylo e ver os volantes reservas do Inter serem melhores do que os nossos titulares