Ah, se eles jogassem o ano inteiro assim [Fluminense 0 x 2 Cruzeiro – Brasileirão 2012]

Celso Roth: "Vamos ganhar todas as últimas partidas para deixar vocês com saudades de mim". (Foto: Washington Alves/VIPCOMM)

E aí, tudo azul?

O chope carioca – aquele que é a mistura do claro com o escuro – do Fluminense foi batizado. A festa dos campeões brasileiros não foi a mesma, mesmo que eles não assumam. Por quê? Porque o Cruzeiro foi ao Rio de Janeiro e venceu os tricolores cariocas por 2 a 0, com gols de Montillo e Élber. A partida foi realizada no Engenhão e foi válida pela trigésima sexta rodada do Campeonato Brasileiro de 2012 – o último antes do fim do mundo.

E antes que muitos venham dizer que o jogo não valia nada – não valia mesmo -, eu já aviso que pouco me importa se foi um amistoso de luxo para ambos os lados. Nós vencemos, foi uma vitória que nos deu muita confiança em uma temporada que beirou o ridículo todo o tempo. Se vencer o campeão no jogo em que ele faria sua festa do título não é o suficiente para ser uma alegria na temporada – é uma alegria, mas a maior alegria viria após vencer o último clássico da temporada.

O Cruzeiro que enfrentaria o Fluminense não contava com o Messinuccio por questões contratuais. Achávamos que ele faria falta, até porque o Juarez não estava dando a mínima para os jogadores da base até então. Além disso, o Fábio sentiu a panturrilha em mais uma lesão “estranha” e o Rafael, após nove meses sem ver a cor da bola, voltaria a ser titular.

O cenário era um pouco preocupante, apesar de já estarmos mais do que estabilizados na zona de conforto.

Só que as preocupações duraram apenas até o início do jogo. O Rafael, tirando um ou outro lance de saída de gol que a falta de ritmo apareceu, foi muito bem. Passou confiança, segurança e soube comandar a zaga que tinha Leandro Guerreiro e Thiago Carvalho. Todos eles, além dos laterais, souberam suportar uma ligeira pressão inicial do Fluminense.

Pressão essa que foi bem de leve mesmo, já que parecia que eles tinham feito os coletivos para o duelo – se é que fizeram – nos moldes de Solteiros x Casados, seguido de doses homeopáticas de cerveja acompanhadas de um bom churrasco.

E, com o adversário idêntico à Bahia neste momento, já em clima de festa para o Carnaval do ano que vem, aproveitamos as chances e, em um pênalti infantil cometido pelo Gum no Anselmo Ramonstro, abrimos o placar com o Montillo – que finalmente voltou a jogar bem e a chamar a responsabilidade como “enganche”, um número dez clássico.

Parecia que o Fluminense ia tentar reagir, mas estavam todos com uma preguiça. O futebol deles era tão feio quanto aquela aberração com tinta verde que o Thiago Neves fez em seu cabelo durante o primeiro tempo. E a obediência tática do Cruzeiro impressionava, por mais que alguns jogadores tenham suas limitações, eles cumpriam seus papéis corretamente. Até o Marcelo Oliveira não jogou mal.

O retorno para o segundo tempo não trazia nada de novo. Eles tentaram atacar umas duas vezes e nós esperávamos o contra-ataque. E ele veio após uma linda jogada do Élber que terminou em um golaço digno de placa no Engenhão. 2 a 0 para o Cruzeiro e apenas seguramos o resultado até que o árbitro apitasse o final do cotejo.

Fora as excelentes atuações do Élber e do Rafael, é importante lembrar que o Alisson teve sua primeira chance como profissional, mesmo que rápida. Com pouco tempo em campo, vi que ele não se intimidou diante de um adversário de alto calibre, com Deco, Fred, Thiago Neves, Sóbis e por aí vai. Tomara que o Celso dê mais uma oportunidade ao garoto contra o Coritiba.

Aliás, com a suspensão do Anselmo Ramon, começo a campanha para que ele dê uma oportunidade ao Vinícius Araújo contra o Coritiba. Já sabemos como o Wellingol joga e ele já teve dezenas de oportunidades. Por que não lançar o moleque domingo que vem?

Outro ponto importante a ser destacado é que só no final da temporada encontramos um esquema tático de fato. Não é nada extraordinário, mas a melhora do time desde que parou de jogar com dois atacantes de área é sensível. Isso é algo que tem que ser pensado pela diretoria.

Não temos um elenco incrível e nem um esqueleto de time. Defino que temos o alicerce de uma casa. Ainda precisamos de muita coisa, mas já sabemos por onde começar, como começar e até com quem deveríamos (ou não) começar.

O jogo de ontem não pode mascarar os problemas que tivemos ao longo do ano, mas vale pelo feito. Ainda tem muita coisa a ser feita e a diretoria não pode continuar errando para que as nossas “alegrias” nos próximos anos não sejam apenas nesse nível.

Mesmo com tudo isso exposto, fica aquela frustração de ter visto o time jogar muito bem em um momento que não era tão necessário e ter feito partidas horríveis quando realmente precisava ganhar. Por que não jogaram sempre assim, sem pressão, sem errar tanto?

Para terminar, só um adendo. O Cruzeiro bem que podia jogar todas fora só no Engenhão. Aquele estádio que era “sinistro” ou “amaldiçoado” hoje é um dos nossos quintais. Um dos times mais estranhos da história do Cruzeiro não perdeu partida alguma no Rio de Janeiro, em um dos anos que eles estiveram até bem, tendo em vista que nenhum brigou de fato contra o rebaixamento. Vai entender esse tal de futebol, né?

(O que vocês acham? Concordam? Discordam?)

Vamos lotar a despedida do Independência no domingo que vem, hein? É o nosso último jogo como mandantes naquele purgatório!

Vamos, Cruzeiro!


Autor do post:
Pedro Oliveira

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