Analisando essa cadeia hereditária

E aí, tudo azul?

Depois de oito rodadas, depois de sermos apontados como candidatos ao rebaixamento, depois de termos aproveitado por uma rodada o doce sabor da liderança, depois de o mundo acabar após a morte da piada do Gambá virgem da Libertadores, podemos analisar com um pouco de frieza o desempenho do Cruzeiro no Bolsa Família 2012. Mas só um pouquinho, né?

É inegável que o Celso Juarez trouxe melhoras ao time. Com o Vágner Queixada, nosso time era idêntico aos de peladeiros de praia. Em alguns jogos na excelente Arena do Jacaré – estou morrendo de saudades de lá, só que ao contrário –, eu ficava com o meu braço levantado esperando quando eles iam chamar quem estava fazendo a de fora. Cansei de marcar 5 minutos, esperar 2 gols e nada. Agora nós realmente temos um time, mesmo que não seja O time.

Outro ponto positivo é que o time realmente muda nas alterações. Não são alterações que apenas tiram quem está cansado para entrar outro que estava esquentando o banco. Até temos um décimo segundo jogador, que é o Souza.

Desde a contratação do Roth, eu havia afirmado que a vinda dele poderia ser positiva pela maneira que ele explora ao máximo a capacidade de seus jogadores. E realmente entrega não tem faltado, mesmo que sejam atuações tão feias quanto um casal de banguelos se beijando sem suas dentaduras logo após acordarem depois de uma longa noite de amor.

Existe uma coisa mais feia que os banguelos se beijando, que é o Éverton ainda jogar na lateral-esquerda. Eu entraria com o Marcelo Oliveira ali até aparecer alguém na base ou tomarem vergonha na cara e contratarem alguém. Até porque o Éverton precisa se explicar, precisa saber o que ele faz da vida. Ele é mais indeciso que uma mulher consumista em uma loja de sapatos quando chega a coleção de inverno. Eu parto do pressuposto que todos os jogadores polivalentes são aqueles caras que ficavam encostados na pelada e, por não conseguirem nem rebater a bola, iam para a linha ao invés de fazerem número no gol. Daí a incrível capacidade de atuarem mal em todas as posições.

A lateral-direita estava até bem cuidada pelo Diego Renan quando chegamos à liderança. Para o padrão Diego Renan de qualidade, ele estava tendo atuações dignas de Bola de Ouro – no mundo dele, claro. Mas o Ceará chegou para ganhar a posição. Se não jogar bem, pelo menos teremos um excelente contador de piadas pra animar a preleção – no tempo do Papai Joel, isso seria motivo para o jogador ser intocável no elenco. Mas vai que o Diego Renan tem atuações razoáveis no lado esquerdo? Aí sim ficaria fino!

Estávamos com uma zaga razoável até os dois últimos jogos, principalmente em todas as vezes que o Victorino fez suas intervenções. Aliás, alguém me explica qual é a desse uruguaio? Ele veio aqui fazer churrasco para a galera ou o quê? Ainda no sistema defensivo, a minha zaga seria o Caveirão Donato – que também pode funcionar como atacante – e o Léo, que está jogando muito bem neste ano. O Mateus é um pouco desorientado das ideias. Podem reparar que ele toma cartão todo santo jogo. Acho que ele seria mais útil no UFC do que no futebol.

O Montillo é intocável neste time. Não tem como não ser até vocês pararem de preguiça e organizarem uma caravana para buscar o Riquelme em Confins. Mesmo não estando em uma temporada sensacional, ele é diferenciado e ainda será decisivo em muitos jogos importantes. Como o Fábio, que parece ter se motivado ainda mais após a famosa proposta do Atlético para levar o seu futebol ao lado morto da Lagoa, aquele mesmo que a Copasa nunca conseguirá despoluir.

Os nossos volantes não estão jogando da maneira que queríamos. E eu não entendo como o Roth não resmungou até agora! É o setor favorito dele no time e vimos um revezamento descontrolado, além de péssimas atuações de determinados jogadores, como o Charles contra o São Paulo. Ele precisa rever isso aí enquanto temos tempo para reagir no Bolsa, hein? Eu arriscaria lançar o Lucas Silva aos poucos, já poderia entrar uns 20 minutos se estivermos ganhando do Grêmio ou da Associação das Padarias no Canindé das IBAGENS DA BARGINAL TIETÊ – sempre quis dizer isso –, que são jogos menos preocupantes do que o clássico contra o Gambá no Pacaembu.

Estou satisfeito com o ataque. Poucas pessoas podem gritar “NÃO É MOLE NÃO, COM WELLINGOL E BORGES EU JÁ PENSO NO JAPÃO”. Tá, eu não penso no Japão, penso nas minhas tão amadas japonesas, só que temos um ataque que é razoável agora com a chegada do Cyborges. Um cara que foi artilheiro em todos os lugares que passou merece muito respeito e tem muito crédito. E o Wellingênio está em uma boa fase. Me arrisco a dizer até que ele fez falta no jogo contra o Internacional. O Fabinho tem sido uma grata surpresa no elenco. É como aquele coadjuvante que aparece na novela das 9, lança um bordão, fica famoso e, três meses depois, já se esconde na novela da Record para ganhar o triplo em um papel que não serve para porra nenhuma, que geralmente é de assassino ou presidiário.

Analisando jogo a jogo, a minha avaliação é que as atuações que mais encheram os olhos cautelosos foram as duas derrotas e a vitória contra o Vice da Gama. O Cruzeiro estreou mal contra o Flamen-GO, se segurou como pode contra o N.Capibaribe, conseguiu a virada contra o Putfire sem empolgar, ganhou de um Sport – que estava esfacelado – na dificuldade, ganhou do Figueirense no sufoco, ganhou do Vasco mostrando autoridade, perdeu graças às mazelas do elenco contra os Bambis e foi incompetente contra o Internacional. O jogo contra o Grêmio é tão importante para as nossas pretensões como a Valesca Popozuda é para os sites de fofocas.

Com tudo isso exposto, vamos cair na realidade – mentira, eu adoro esse faz de conta que podemos ser campeões com sobras – que nosso destino deve ser uma vaga na Copa Sula Miranda Rainha dos Caminhoneiros. Se não, vocês ficarão iludidos como eu e essa ilusão causa a mesma sensação que conhecer aquela menina sensacional no dia anterior, ficar com ela “na balada”, pegar o telefone dela na esperança de ter um segundo ou um terceiro encontro – sim, eu sou o tipo de cara que liga no dia seguinte – e o telefone ser falso, ela não atender ou ela ter que jantar com a cunhada da vizinha da mãe que veio visitá-la após dois dias sem se encontrarem. Se vier uma vaga na Libertadores, está tudo tão lindo quanto a Playboy da Mari Paraíba. Título é sonhar demais, mas vamos torcer, vamos apoiar. Vai que cola, né?

Só não quero ter um encontro com a zona de rebaixamento. Prefiro tê-lo, cautelosamente, com a Fátima Bernardes, respeitando o William Bonner e os trigêmeos.

Nos vemos no Independência domingo, hein?

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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6 Comentários

  • Daniel C. S.

    Eu raxo de rir com os post desse cara, comedia demais…
    Ele deve ser o contador de piadas da turma…

  • Moreira

    Daniel

    Não consigo entender o que tem a ver o campeonato brasileiro com o Bolsa Família…!!! Não saco suas piadas…Fáz cócegas para eu rirrrrrrrrrrrrr

    • Pedro Oliveira

      Bolsa Família = Algo que todo mundo se mata pra ganhar e, se conseguir pelo menos vaguinha na Sula, já está feliz…

    • bernardomintira

      Lucas silva aos pouso? ta na hora de botar uns 3 moleque como titular o jogo todo… varios times fazem isso, o flamengo ta fazendo isso (e olha que a situ deles é tao caótica quanto a nossa..) mas enfim… do resto eu concordo

      • Camila

        “Ele é mais indeciso que uma mulher consumista em uma loja de sapatos quando chega a coleção de inverno” < AÍ EU VI INDECISÃO MESMO KKKK