Chega de saudade

O Mineirão ficou sensacional por dentro e por fora! (Fonte: Instagram)

E aí, tudo azul?

Em meio ao caos implantado pelos boatos de fim do mundo na última sexta, 21 de dezembro, o Mineirão foi reinaugurado. Mais moderno e mais confortável, a nossa casa também teve alguns ônus em sua reforma de dois anos, como o fim da geral e a diminuição do gramado. Mas a sensação de matar a saudade de casa foi indescritível.

Como diria o grande Luiz Gonzaga – um gênio que através da música fez o país enxergar a cultura nordestina -, saudade assim faz doer e amarga que nem jiló. Essa saudade, de ficar dois anos e meio sem a nossa verdadeira casa, foi muito dura.

Peregrinamos por vários lugares como Sete Lagoas, Ipatinga, Uberlândia, Varginha e Nova Serrana. Voltamos a Belo Horizonte, mas era no Acanhadinho do Horto, vulgo Independência. E tampouco era a mesma coisa, não só porque não é o mesmo estádio, não é o mesmo clima, mas porque o Independência nunca foi a nossa casa. Os cruzeirenses mais antigos, da época pré-Mineirão – como exemplo cito meu pai -, detestam aquele estádio. Não só pela parceria Atlético-BWA, mas porque não combina com o Cruzeiro. Após 6 meses jogando lá, tenho que dar toda a razão a eles. Aquilo ali é uma espelunca, mesmo depois de ter sido jogado abaixo e refeito.

Voltando ao Mineirão, quando subindo as escadas mais uma vez, me senti de volta a 2010, naquele fatídico 2 de junho, quando o Cruzeiro empatou sem gols com o Santos. Não me esqueço que xinguei o Adilson Batista de todos os palavrões que sei falar porque estava jogando só com um atacante dentro de casa e que até achei boa sua demissão.

E aposto que todo mundo que estava lá deveria ter alguma história do tipo, mesmo que sua despedida do estádio tenha sido no show do Skank que ocorreu poucos dias depois, para referendar o fechamento do ciclo do Mineirão antigo, que teve 45 anos muito bem vividos.

Este novo Mineirão tem algumas mudanças significativas em comparação com o antigo. A começar pela área externa, onde criaram uma esplanada e um espaço de convivência. Acho muito bom, ainda mais que os famigerados shows que ocorrem no estádio não estragarão mais o gramado e não teremos que sair procurando estádio para alguns jogos até decisivos no Rural ou na Copa do Brasil. As catracas e a setorização para a entrada no estádio também parecem ter melhorado, mas só vou afirmar alguma coisa com certeza após ver tal estrutura em funcionamento.

Na área interna, a mudança foi radical. Acabaram com a geral e com a arquibancada inferior para fazerem aquele setor inferior que será mais caro. Isso cortou meu coração. Quando meu pai me levava ao estádio durante a minha infância, antes das primeiras mudanças que aconteceram para o Brasil e Argentina de 2004, a gente ficava na arquibancada inferior e de lá eu tenho lembranças de Libertadores, Copa do Brasil e muitos outros títulos.

As cadeiras realmente são confortáveis. Os camarotes parecem ser luxuosos e a imprensa tem um espaço bacana para trabalhar – queria ser contratado pela imprensa apenas para testá-lo, já que deve ser horrível torcer para um time e ter que cobrir o jogo, sem ficar na arquibancada e aproveitar, por isso nunca quis ser jornalista esportivo. Enfim, os banheiros melhoraram e estão maiores. Falta sabermos como estão os bares e quanto custará o tropeiro – estou achando que será por volta de 30 reais.

Enfim, temos um estádio novo em folha. Muita gente – especialmente os que torcem para o Atlético de Lourdes – diz que é desperdício jogar no Mineirão todos os jogos, que podemos quebrar se não enchermos todos os jogos e que os jogos pequenos de Mineiro deveriam ser no Independência.

O Mineirão é um patrimônio do futebol mundial!

Mas eu não penso só no dinheiro, penso no meu lado torcedor. Sempre fui contra qualquer proposta de construção de estádio porque o Mineirão é a nossa casa. Estádio próprio pode dar lucro, pode ter “as cores do time” – a maior baboseira que já ouvi em toda a minha vida -, pode servir para mil e uma coisas, mas esse papo não adianta. Não precisa de ter um papel assinado dizendo que o Cruzeiro é proprietário do Mineirão, já basta tudo que conquistamos e vivemos lá para nos sentirmos donos de verdade.

Essa questão de prejuízo ou não, é problema do clube. O sócio é uma maneira de segurar a onda e ajudará demais agora com a nossa casa de volta. Seria legal que o Cruzeiro tivesse por volta de 20 mil sócios. Não acho nada absurdo em um universo de 8 milhões de pessoas, é só ignorarmos o fato de não ganharmos quase nada em troca – principalmente o direito de votar – e pensarmos no nosso amor ao clube. A gente gasta muito mais com balada, cerveja e dezenas de coisas.

Fora que o Cruzeiro tem que pensar outras formas de ganhar dinheiro. Não só o tradicional, mas criar algo novo. Algo que use a marca, principalmente no interior do estado. Uma ideia que sempre tive é fazer a pré-temporada fora de Belo Horizonte e vender amistosos onde estivermos fazendo ou em cidades próximas para as prefeituras, times, empresários, enfim, quem quiser pagar.

Quanto a não ter um estádio, bom, o Flamengo e o Fluminense não têm e não se tornaram menores por isso. Além disso, onde teria um terreno em Belo Horizonte para fazermos esse bendito estádio? Vai pra Grande BH? Isso pode afastar muita gente de ser sócio e de ir aos jogos.

Não vamos inventar coisas, gente! A nossa casa é o Mineirão. Para as coisas darem certo lá, a torcida precisa comprar a ideia e ir mesmo aos jogos estúpidos do Mineiro – ver Cruzeiro x Tombense numa quarta às 21:50 é sofrível, mas é o que tem para acompanharmos até a Copa do Brasil e o Brasileiro começarem.

Fora que é a volta ao Mineirão, gente! Eu me pegava cantando sozinho “Essa é minha alegria de coração, ver o Cruzeiro jogar no Mineirão”, porque o meu remédio para a saudade é cantar. Porque falando só por mim, tenho 20 anos de história com aquele estádio, é uma vida inteira e dia 3 de fevereiro voltaremos a ver o Cruzeiro em sua verdadeira casa, o Mineirão.

A casa é tão nossa que a presidenta atleticana Dilma Rousseff colocou o boné da Máfia e fez o punho cruzado. Querem mais reconhecimento que isso?

O único lado ruim dessa festa sensacional foi o show do Jota Quest, que, vamos combinar, é muito pouco para animar 20 mil pessoas. Fui só pelo Mineirão, que é tão importante para mim quanto a casa que habito.

Chega de saudade, o Mineirão voltou!

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

Deixe seu comentário

(Obrigatório)
(Obrigatório, Não será publicado)
Notificar por e-mail

2 Comentários

  • Alessandro Milagres

    Perfeito, esses dois anos foram como se um irmão tivesse feito uma viagem no exterior de intercambio, voce sabe que quando ele volta ele esta diferente…..
    Mais moderno, mais requintado, mais preparado para o futuro. O nosso Cruzeiro só e o que e graças ao Gigante da Pampulha.

    []s

    Alessandro

    • Vinícius

      Se o Jota Quest é o lado ruim, imagina o lado bom.
      Se o Skank fechou o 1º ciclo com chave de ouro, a nova era do Mineirão já começou mto bem com o Jota Quest mandando um som.