Copos d’água, celulares e pedaços de bolo que custam mandos

Eu falei que ia dar merda, capitão. (Foto: Washington Alves/VIPCOMM)

E aí, tudo azul?

Tendo em vista o julgamento do Cruzeiro, que acontecerá na próxima quarta-feira, devido aos incidentes ocorridos no clássico do dia 26 de agosto, a Geral do Cruzeiro convida vocês a discutirmos com franqueza toda essa situação incômoda na qual nos encontramos.

Antes de mais nada, já começo dizendo que todo ano o Campeonato Brasileiro tem algum bode expiatório para o STJD , Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, mostrar serviço. Todo santo ano é assim. Mesmo que façam mil injustiças, punam quem não deve ser punido, eles querem mostrar serviço. Foi assim com o Atlético em 2004, quando atingiram o Fabão com uma pedra em um jogo contra o São Paulo; com os jogos remarcados em 2005, que resultaram no título injusto do Corinthians; com o Náutico em 2008, naquele episódio onde o André Luís Sagat foi expulso, teve aquela confusão com a torcida e a polícia pernambucana; com o Coritiba em 2009, onde a torcida praticamente destruiu o estádio e a cidade; e em diversos casos aleatórios – Sandro Hiroshi e afins – que vocês podem me lembrar nos comentários.

Pois bem, agora estamos no foco de toda a mídia, de todas as outras torcidas e até dos promotores para sermos punidos. Sendo bem sincero com vocês, a punição do Cruzeiro é inevitável, mesmo que consigam identificar e punir todos os responsáveis pelos incidentes. O Cruzeiro está mais na boca do povo que o julgamento do Mensalão. Ou seja, excetuando os cruzeirenses, todos querem a nossa punição. E já diria o grande mestre Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”!

Quando digo que todas as outras torcidas estão esperando uma punição exemplar ao Cruzeiro, me refiro até a torcedores do Coritiba, que até outro dia estavam chorando por estarem longe do Couto Pereira graças aos incidentes do fatídico jogo que o time foi rebaixado. E isso remete ao genial “Bonitinha, mas ordinária”, onde o Nelson Rodrigues conseguiu escrever um roteiro inteiro baseado em como as pessoas atropelam as outras apenas por seus interesses, sem escrúpulos e sem pudor.

Quem fez aquele espetáculo horroroso no jogo contra o Atlético jogando tudo que tinha pela frente no (péssimo) juiz pernambucano Nielson Nogueira Dias, merecia apanhar de cinta por prejudicar o Cruzeiro em um campeonato tão tenso. Se por ventura estivermos disputando uma vaga na Libertadores e o mando fizer falta, a responsabilidade é destes indivíduos. Não há como controlar uma multidão, até pelo baixo efetivo policial que é reservado para os jogos de futebol – e um dos motivos pelos quais os clássicos estão sendo realizados em torcida única é porque a polícia não ter muito trabalho.

Claro, isso tudo que eu falei foi por um viés mais passional. Mas arremessar coisas no árbitro não seria o mais correto a se fazer.

Por mais “mal intencionada” que uma pessoa seja, ela tem consciência. E soprador de latinhas que mediou o clássico mineiro conseguiu desagradar os dois times. O Nielson sabe, bem em seu íntimo, que todos os cruzeirenses e atleticanos desejam que ele seja atacado por um dos tubarões de Boa Viagem. Pior que a arbitragem dele, só o português que ele utiliza para preencher as suas súmulas, conforme pode ser visto neste link.

Colocaram um juiz que não serve para apitar nem os jogos do Íbis na Segunda Divisão Pernambucana para apitar um dos jogos mais tensos de todo o campeonato. Eu tenho certeza que aconteceria tudo exatamente igual se fosse mando do Atlético, aliás, talvez até fosse pior, com o inconsequente do Kalil – falarei sobre ele daqui a pouco – invadindo o gramado e peitando o juiz, como já ocorreu na Copa do Brasil de 2011.

Sempre fui contra aos clássicos com torcida única, mas após o Kalil assumir o comando do rival, não tem como. Ele deveria ser indiciado toda vez que ocorresse qualquer ato de violência. Declarações como “quero acabar com o Cruzeiro”, ou “Esperamos que a nova comissão de arbitragem puna esta barbaridade que aconteceu aqui” só servem para aumentar a rivalidade, para gerar violência e confusões entre os torcedores. E a imprensa mineira é tão irresponsável quanto ele, ao sempre dar espaço toda hora que ele pede para falar esse tipo de coisas, por não se posicionar quando ele falar isso tudo sem críticas. Até porque ele desrespeita a paixão de terceiros todas as vezes que abre a boca para se referir ao Cruzeiro.

Já houve uma condenação pública do Cruzeiro e de sua torcida. Viramos vândalos, marginais e tudo mais que há de pior porque nos venderam assim para todo o país.

Nunca fui favorável às teses que a imprensa mineira é, em sua maioria, atleticana. Até porque todos eles passaram por uma faculdade de Comunicação que ensina ética, imparcialidade e outros conceitos importantíssimos para a execução do bom jornalismo. Eu também passei pela mesma faculdade e, por isso, não fazia coro ao que diziam. Mas a atitude de boa parte dela neste caso do Cruzeiro é lamentável. Já nos puniram antes do julgamento do STJD, fazendo coro a tudo o que o Kalil disse.

O que eu acho mais engraçado, é que no primeiro clássico do ano, que ocorreu pelo Campeonato Mineiro, torcedores atleticanos atiraram uma garrafa pet logo depois do gol de empate do Anselmo Ramon – como vocês podem ver aqui, a partir dos 0:44. Ninguém falou em punição, mesmo que fosse mínima, apenas para dar satisfações aos torcedores.

Conforme falei no início, não há como o Cruzeiro não ser punido, infelizmente. Não só pela comoção pública que houve. Mas o STJD quer mostrar serviço, até aquele Paulo Schmidt, o condenador maluco, entrou na história. Seremos julgados em um artigo com pena até 10 jogos. Como não houve invasão de campo, nem agressão direta ao juiz ou a qualquer atleta e nem incidentes policiais na denúncia, acredito que seremos punidos de 3 a 5 jogos. Mais de 5 é putaria e palhaçada do Tribunal para inglês ver.

Isso porque estou cravando que seremos punidos pela invasão de nossos dirigentes durante o intervalo. Só que há um problema se isso for um atenuante na punição. O Náutico, quando foi punido em 2008 – naquele jogo que o André Luís aprontou todo aquele salseiro -, jogou duas partidas como mandante no Arruda, quando alegaram que apenas seu estádio não reunia condições de segurança.

Ora, se a invasão de dirigentes for um agravante, nem o Atlético e nem o América poderiam jogar lá até que resolvam tal situação. E nessa situação, a arbitragem teria que trabalhar sem ter riscos de ser “ameaçada” por dirigentes. E isso poderia ser resolvido com alguns jogos sendo realizados na nossa querida e amada Arena do Jacaré.

Qualquer punição ao Montillo é palhaçada, os nossos dirigentes infelizmente serão punidos e o Guerreiro deve levar 2 ou 3 jogos.

E vocês, o que esperam do julgamento do STJD? Alguma punição mais grave, mais leve ou que, em um milagre divino, o Cruzeiro seja totalmente absolvido?

Arrocha, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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6 Comentários

  • Everton

    Eu acredito que o Guerreiro pegue uns 2 más como já cumpriu 1 terá de cumprir mais um já o Montillo absolvido essa é até piada que i indiciou e o crizeiro acho que uns 4 jogos pela reencidencia

    • Bernardo Pereira Moreira

      Muito bom! Muito bom!!
      sensacional esse texto esclarecedor eim..

      • erick luis

        Acho que mais de dois jogos é muito, no último clássico jogaram um Rojão no Renan Ribeiro e foram apenas dois jogos…

        • Pedro Oliveira

          Erick, o problema é que o Cruzeiro é reincidente. Naquele caso do Renan não era, não tinha tomado punição alguma!

        • Edson

          Jogar objetos no campo até hoje….., isto é um absurdo sim. Tem muitas câmeras no estádio, pega o sujão expulsa pelo menos um ano dos estádios e deixa quem realmente quer ver um jogo.

          • Camila

            Era impossível sem totalmente absolvido.
            Gostei do texto.