Dossiê Fábio – 2011: Após “efeito Once Caldas”, a irregularidade

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O ano de 2011 começou no mesmo ritmo que terminou 2010. Empolgado, o vice-campeão brasileiro, comandado pelo capitão Fábio, começou o ano de forma arrasadora na Copa Libertadores. Jogadores como Montillo, Roger e Wallyson comandavam um ataque poderosíssimo, enquanto Fábio seguia fazendo um ano seguro.

A campanha na Libertadores animava a torcida e o Campeonato Mineiro seguia o mesmo ritmo. O Cruzeiro terminou a fase classificatória com a melhor defesa da competição e em primeiro lugar, mas a lua-de-mel entre torcida e time duraria até o fatídico jogo contra o Once Caldas (COL), no jogo de volta pelas oitavas-de-final da Libertadores. O time simplesmente sofreu um “apagão” e perdeu em casa por 2 a 0, sendo desclassificado da competição nacional de forma precoce. Apesar de ter escapado das críticas pela eliminação, a balança começaria a pesar contra o arqueiro celeste, como para o restante do time, em pouco tempo.

O primeiro jogo da final do Campeonato Mineiro aconteceu logo em seguida ao jogo contra os colombianos, uma derrota para o arquirrival Atlético-MG por 2 a 1. A torcida celeste, ainda abalada viu o Atlético-MG, no segundo jogo da final,  ter uma grande oportunidade de título, que certamente seria concretizada não fosse por Fábio: O Cruzeiro precisava de uma vitória simples para ser campeão e com o jogo ainda em 0 a 0, o goleiro aos 28 minutos do segundo tempo, após sair nos pés do jogador Magno Alves, cara a cara com o atacante, fez uma das defesas mais bonitas da sua carreira, aproveitando para já ligar o contra-ataque, que resultaria no primeiro gol do Cruzeiro. No final do jogo, o Cruzeiro fez 2 a 0 e garantiu o título do Campeonato Mineiro. Paz momentânea.

O título estadual manteve o clima amigável entre Fábio e a torcida, mas o Brasileirão começaria já com um lance que desgastaria o goleiro com parte dos cruzeirenses. Na estreia contra o Figueirense, o Cruzeiro foi superior durante todo o jogo, porém uma falha de Fábio foi crucial para a vitória dos catarinenses por 1 a 0. O goleiro saiu mal do gol e socou a bola na cabeça de Marquinhos Paraná. Gol contra creditado ao volante, mas que fez com que as críticas de outros tempos ao goleiro voltassem a ficar frequentes. O treinador Cuca, por sua vez, não aguentou a pressão do começo ruim na competição nacional, saindo do comando do time na 5ª rodada e dando lugar ao treinador Joel Santana.

O Cruzeiro oscilou muito com Joel e, entre vitórias e derrotas, não fazia um bom campeonato. Pouco após o final do primeiro turno, Joel foi demitido e, em seu lugar, a tentativa de solução veio de dentro do próprio clube: Emerson Ávila, que não conseguiu nenhuma vitória e logo deu lugar a Vagner Mancini.

Mesmo com a excessiva troca de técnicos, Fábio sempre se manteve como titular absoluto, embora o Brasileirão 2011 tenha sido o mais irregular do goleiro, até o momento, com a camisa cinco estrelas. Fábio alternou atuações como a mencionada contra o Figueirense com atuações de gala, como na vitória sobre o Internacional por 1 a 0, gol de Farias, momento em que o clube já estava bastante ameaçado pela possibilidade de rebaixamento.

A maior polêmica do ano, entretanto, veio na penúltima rodada. Fábio foi advertido com o cartão amarelo por retardar a cobrança de tiro de meta, apesar de ser o zagueiro Léo quem estava posicionado para recolocar a bola em jogo. O cartão foi o terceiro do goleiro, que ficaria assim de fora do clássico da última rodada – a goleada de 6 a 1 do Cruzeiro, sobre o Atlético, na ultima rodada, teve Rafael como titular – que definiu o destino do Cruzeiro e a permanência na Série A. Para alguns, Fábio teria amarelado e fugido desta dura batalha, mas, no geral, a polêmica não foi alimentada por muitos. E assim o ano terminou. Com um clima bem pesado na Toca e Fábio dividindo opiniões na torcida: ídolo para uns, contestado por outros.

Pênaltis: com duas defesas de pênaltis no ano, o arqueiro chegou à marca de 12 pênaltis defendidos com a camisa do Cruzeiro. As cobranças defendidas foram a de Medina, jogador do Desportes Tolima (Colômbia) durante a fase de grupos da Libertadores e do artilheiro Luís Fabiano, atacante do São Paulo, durante o Campeonato Brasileiro.

Títulos:Campeonato Mineiro.

Premiações: O goleiro recebeu as premiações de “Melhor Goleiro do Ano” do Troféu Guará, “Melhor Goleiro do Ano” do Troféu Telê Santana e “Melhor Goleiro do Campeonato Mineiro” pelo Troféu Globo Minas. Pela primeira vez, desde que chegou ao Cruzeiro, o goleiro não figurou entre os dez melhores goleiros da competição no prêmio “Bola de Prata” da Revista Placar em parceria com a emissora ESPN Brasil – o ganhador do Prêmio foi Fernando Prass, goleiro do Vasco, com nota média de 6,14 em 38 jogos.

Opinião: O Cruzeiro dos anos 1990 conquistou vários títulos e os ídolos daquela época foram consagrados por isso, pelas taças da Supercopa, Libertadores, Copa do Brasil, dentre outros campeonatos vencidos. Título valoriza o conceito de ídolo e, dependendo da conquista, o transforma em “mito”. Mas, título não é fundamental para à consagração de um jogador em relação ao seu torcedor. Por isso, acredito que Fábio seja o jogador mais importante do atual Cruzeiro, que não é mais aquele time copeiro do passado. time que consagrou “um tipo diferente de ídolo”. Nos novos moldes da história do clube, Fábio é, sim, na minha opinião, ídolo celeste. Seus mais de 400 jogos com a camisa azul falam por si só. (Guilherme Guimarães, Jornalista do Super FC – editoria de esportes do Portal O Tempo Online –  e comentarista do Programa Jogada de Classe, da TV Horizonte/BH).

Autor do post:
Stefano "Poke" Marchesini

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