Eles de novo [Atlético x Cruzeiro – Brasileirão 2012]

E aí, tudo azul?

Finalmente este ano vai acabar. A última rodada do Campeonato Brasileiro de 2012 – o último antes do fim do mundo – chegou, segunda-feira o Roth não será mais o treinador do Cruzeiro, vários bondes irão embora, renovaremos nossas esperanças para um futuro melhor – ouviu, Gilvan? – e em 3 de fevereiro voltaremos ao Mineirão. Mas antes de isso tudo acontecer, nós vamos enfrentar o Atlético de Lourdes neste domingo, às 17 horas, em mais um clássico regional.

Não sou adepto de teorias como “ex-clássico” ou “o Atlético não é nosso rival”. Eles são sim nossos grandes rivais, sempre foram, o Atlético é o oposto do Cruzeiro, é como Carminha e Nina, Jerry e Tom, PT e PSDB, Record e Globo, carne moída com chuchu e feijoada. Mobiliza Belo Horizonte, o estado de Minas inteiro e até cidades de outros estados ou países onde existem grandes torcidas dos dois times.

O Atlético pode ser um time médio, com títulos de time médio, com um currículo vitorioso apenas em Minas Gerais e um aborto da natureza cometido em 71, que resultou no único título brasileiro, mas é o nosso rival. O meu maior exemplo é a rivalidade de La Plata. O Estudiantes tem quatro Libertadores, vários argentinos, um Mundial e seu maior rival é o Gimnasia – um time muito simpático, de uma torcida extremamente apaixonada -, mas que não é absolutamente nada falando de títulos, tem um campeonato argentino de 1929 – era amadora – e três títulos da Segundona. Além disso, foi rebaixado em 2011 e só tem chances de voltar em 2013 ou 2014.

E para este duelo importantíssimo vamos com a nossa força quase máxima, já que, além dos machucados que não vinham jogando, o único desfalque por suspensão é Diego Renan. Claro, o Sandro Calamidade Silva, que se machucou nos últimos treinos, não conta. Ele entra na conta dos desfalques do outro lado, junto com o Júnior Cesar.

Esperamos que o Roth seja coerente e pelo menos mantenha a base dos últimos jogos, já que houve uma melhora e o time até que está jogando bem. Não é bem naquele nível “Barcelona das Américas”, mas é um bom nível levando em conta as peças existentes e a forma como o time foi montado.

Nessa “boa fase” do Cruzeiro, queremos muito essa vitória, temos condições sim de vencer. O Atlético não é nenhum bicho de sete cabeças e perdeu muito da força que tinha no primeiro turno. A minha vontade pessoal é, com o perdão das damas, tirar o cabaço do Atlético no Independência. Isso de torcida única, na minha opinião, favorece o visitante. Porque as vaias começam a aparecer se o mandante estiver jogando mal e sair perdendo. Como o MESSinuccio falou em sua coletiva, a torcida fica brava – e ele fala com um excelente conhecimento de causa, já que Nueva Chicago, time que ele foi revelado, e Chacarita Juniors é o clássico mais barra pesada da Argentina.

A obrigação de vencer é dos dois lados, não tem essa de “briga por segundo lugar”, estamos falando da maior rivalidade do país e não algo que é uma cópia mal feita de Boca e River como o Grenal. E como clássico da grandeza que é, Cruzeiro e Atlético sofreu por 2 anos nas mãos de autoridades incompetentes e preguiçosas que, querendo trabalhar menos, criaram essa aberração de torcida única. Isso atrapalha o espetáculo! Náutico e Sport, que é realizado em uma área nobre e residencial do Recife – na região Aflitos/Espinheiro -, tem as duas torcidas. Por que Cruzeiro e Atlético no Horto, uma região com vários acessos e bem menos complicada de se policiar, não pode ter?

Vou aproveitar o espaço para fazer uma crítica a um fato que vem ocorrendo nos últimos dias.

Nos últimos anos, exceto em 2012, o Atlético não teve o mesmo êxito do Cruzeiro. Isso é público e notório. Não sou de usar conversas como “um time é maior que o outro”, mas todos nós sabemos que o Atlético parou no tempo, teve um título em 1971 a.C., na época em que os dinossauros ainda habitavam o planeta Terra e não existia nem o Facebook para compartilharem um milhão de vezes o gol de cabeça feito pelo Dario.

Ciente disso, a imprensa mineira faz algo que gera muitas críticas. Em partes ela está correta, já que vivemos em um estado onde existem duas torcidas – a do América está na fila do INSS neste momento. E se o Atlético fica sempre em baixa, sem que eles tentem levantar, o público das transmissões esportivas é mínimo. Não é questão de torcerem em um primeiro momento, é questão comercial mesmo. A Itatiaia alcança 90% da audiência em Belo Horizonte nas transmissões esportivas, com o Atlético em baixa, essa audiência cairia para uns 75%, porque eles têm sim uma torcida.

Tentam fazer uma imparcialidade forçada ao tentarem igualar os dois totalmente. Podem sim receber o mesmo tratamento, a torcida do Atlético encheria o saco de toda a imprensa se o clube fosse apresentado como um time decadente em todos os jornais, rádios ou televisões.

Mas o que vimos nestes últimos dias foi inaceitável. Sou um defensor da imprensa – sim, sou corporativista -, porém, sofremos um bombardeio de todos os lados. Tentaram vender o Montillo para o Atlético, para o Santos, para o São Paulo, para o Grêmio, para o Eike Batista e até trocá-lo em barras de ouro que valem mais do que dinheiro com o Silvio Santos.

Quando viram que este “plano” não surtiu efeito, publicaram uma notícia mentirosa em um grande portal do estado para tentar causar algum efeito.

E nessa tentativa de “igualar” Cruzeiro e Atlético, acabam fazendo mil presepadas com o Cruzeiro. Sabemos que muitos jornalistas são atleticanos de fato – assim como existem jornalistas cruzeirenses -, não adianta eles falarem que torcem “para Minas”, isso é mentira. Todo mundo que mexe com futebol tem uma paixão por um clube. Alguns conseguem fazer um bom trabalho – e os bons aqui são muito bons, gente de muita qualidade -, outros não – é assim em todas as profissões -, eu mesmo não sei se seria capaz de fazê-lo, sempre quis ser jornalista político ou de programas policiais como o negociador número 1 de resgates no país, José Luiz Datena.

Além desse erro da imprensa ao tentar ser imparcial diminuindo o Cruzeiro e aumentando o time do Panetone, há outra mentira que precisamos “desmentir”, que é a torcida do Atlético. Como o time fracassou sim em vários momentos, vendem a imagem da “torcida mais apaixonada do Brasil”, o “Galão do Panetone” ou “O Galo é amor e não simpatia”. Só que isso é uma falta de argumentos tremenda. Todas as torcidas possuem torcedores muito apaixonados, modinhas e corneteiros. Estádio de futebol é sempre a mesma coisa, independente da cor da camisa.

O meu time na Argentina, o Racing, passa pelo mesmo processo que o Atlético passou, não ganha nada e vive da paixão da torcida. Sou racinguista, mas é a realidade. É o mesmo processo que Remo, Santa Cruz e outros passaram, o de exaltação da própria torcida para esconder os fracassos.

O Atlético tem um excelente time e os atleticanos que possuem o “microfone na mão” não precisam desse tipo de coisa. O vencedor do clássico amanhã vai ser quem jogar melhor – ou não, vai que alguém acerta um chute do meio da rua, o outro martela e termina em um 1 a 0 “injusto”.

Que tenhamos todos um clássico com muita paz e sem violência, por favor. Por mais que não gostemos do Atlético, existem pessoas que gostamos do outro lado, parentes, amigos, mãe, pai, namorada. Enfim, ignorem todas as merdas que o Kalil fala sobre o Cruzeiro. Ele é um pateta que recebe a atenção da mídia por possuir um cargo relevante.

Ah, só para terminar, acredito que venceremos amanhã. O meu coração diz que fica 3 a 0, a razão diz que fica 2 a 1. O Montillo faz gol nos dois cenários, mas o Anselmo Ramon vai ciscar de novo. E o que vocês acham?

Um excelente clássico para todos!

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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