ISSO NÃO FAZ SENTIDO

Domingo, 22 de julho de 2012. Independência, Belo Horizonte – MG.

Tudo tranquilo para mais um dia de #cautelaealegria no barraco que estamos utilizando enquanto nossa casa não fica pronta. Já cheguei animada, pois jogos contra o Flamengo em casa me trazem boas lembranças pelos embates nos quais estive presente em 2008 e 2009 – também estive em 2011, mas prefiro apagar a maioria das memórias futebolísticas desse ano. Acompanhada dos meus fiéis escudeiros (Marcelo Dominato e o ilustríssimo Sr. Michael Renzetti), chegamos à Rua Pitangui pra entrar pelo portão 03, o portão dos sócios da antiga 7A.

Ser sócio do futebol é muito bom, né, gente? Váááárias vantagens que na verdade são uma só: Não ter que se preocupar em comprar o ingresso. Faltando pouco mais de uma hora pro jogo começar, a fila estava enorme. Apenas 45 minutos depois, estávamos a uns 15 minutos de chegar nas catracas. O portão 03 tem quatro portões de acesso mas apenas um é aberto. Por quê? Porque só tem catracas suficientes para isso. Imagino que em alguma reunião, chegaram pro Gilvan e disseram: “Vamos jogar em BH, aumentar o número de sócios, lucrar mais e manter o mesmo número de catracas que a gente tinha em Sete Lagoas porque não estamos nem aí pro torcedor”. ISSO NÃO FAZ SENTIDO (proj. Felipe Neto)!

E claro, como em qualquer outro lugar desse país abençoado por DEUS e bonito por natureza, os brasileiros de raíz preferem furar filas e atrapalhar o fluxo das mesmas do que ir lá pro final e esperar sua hora chegar. ACHO que não sou brasileira de raíz. Não bastasse toda a ~malandragem~ da população, aproximadamente zero policiais, funcionários da BWA e/ou flanelinhas estavam ali, pra organizar ou dar uma cacetada* em quem estivesse atrapalhando a minha vida.

Quando conseguimos chegar à catraca, adivinhem o que aconteceu? Meu cartão não foi reconhecido. Pelo terceiro jogo consecutivo. O meu e o mais de um zilhão de pessoas, no caso. Sempre que isso acontece, não basta conferir o cartão e o boleto. Óbvio que não poderia ser simples assim. Eles me mandam pra última catraca, pegam o cartão, o boleto, tomam um chá, discutem política e voltam pra liberar minha entrada. Mas antes, aprontei um escândalo. O diálogo** transcorreu mais ou menos assim:

Eu: MAS NÃO TEM CONDIÇÕES, EU SÓ QUERO ENTRAR NESSA PORCARIA DE ESTÁDIO. O JOGO JÁ TÁ COMEÇANDO E EU NÃO CONSIGO ENTRAR. EU TÔ COM MEUS DOIS CARTÕES (O ANTIGO E O NOVO) E O BOLETO PAGO, SE VOCÊS QUISEREM EU PASSO OS DOIS CARTÕES!!!

Todas as outras pessoas já estavam tão enloquecidamente impacientes e fazendo tanto escândalo quanto eu.

Eu: NÃO É POSSÍVEL! EU DESBLOQUEEI MEU CARTÃO E É O TERCEIRO JOGO CONSECUTIVO QUE EU NÃO CONSIGO ENTRAR DIRETO. VOCÊS SERVEM PRA QUE?

Atendente (rindo da minha cara): Olha, você não tem que xingar o Cruzeiro, não, é o Atlético. O problema é nas catracas e as catracas são deles.

Eu: COMO É QUE ÉÉÉÉÉÉÉÉÉ??? EU VOU XINGAR É O CRUZEIRO SIM. EU PAGO É O CRUZEIRO. NA HORA DE VOCÊS MANDAREM O BOLETO LÁ PRA CASA, VOCÊS CONSEGUEM, NÉ? NA HORA DE EU ENTRAR NO ESTÁDIO VOCÊS NÃO TEM COMPETÊNCIA E A CULPA É DOS OUTROS???

Minha gritaria continuou por mais alguns minutos, e com muita dificuldade consegui entrar, tremendo de raiva, e já com a bola rolando.

É ridículo ver como essas coisas vêm sendo encaradas com normalidade. Não me interessa o que acontece em jogos de time B ou C, tenho interesse única e exclusivamente no Cruzeiro. E por aqui, não tá nada legal.

* Sou contra a violência! Paz nos estádios.

** Por motivos de educação, várias palavras de baixo calão foram excluídas da conversa.

Autor do post:
Rafaela Araújo

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