Movimento dos sem-teto

“Que tal começar a ouvir mais a torcida, Gilvan?” (Foto: Washington Alves/VIPCOMM)

E aí, tudo azul?

Com a punição imposta pelo STJD, graças aos incidentes ocorridos no último clássico, o Cruzeiro voltou a ser um clube peregrino pelo interior de Minas, remetendo aos anos de 2010 e 2011. A primeira partida foi contra o Vasco, lá na terra do ET, a gloriosa Varginha. Mas, qual deveria ser a nossa casa até retornarmos a Belo Horizonte?

Antes de qualquer coisa, até para ressaltar qual será a minha postura neste texto, eu gostaria de criticar a atitude patética do presidente Gilvan Velha Surda – só maneiro nas críticas quando ele começar a acertar em seu mandato – ao escrever uma carta à torcida. Tudo bem, produzir um texto pedindo o apoio dos torcedores é importante, é um ato nobre e importante. É uma ferramenta válida de comunicação. Mas aquilo ali é uma reunião de coisas que só podem gerar vergonha alheia em quem a lê (aqui segue o texto).

Querer que os torcedores não deixem de pagar o Sócio, nesse momento, é fundamental. Não nego que a primeira coisa que fiz este mês foi depositar os 80 reais mensais na conta do Cruzeiro. Mas não há a menor preocupação com o torcedor como consumidor. Apenas nos enxergam como financiadores do time. Não houve a menor preocupação em jogar no lugar que seria o favorito dos torcedores, ou em uma maneira de diminuir o prejuízo para quem está pagando entre 60 a 120 reais por mês, considerando que a grande maioria dos Sócios está em Belo Horizonte e que os valores foram reajustados no meio do ano com o retorno dos jogos à capital mineira.

Faço essas críticas porque desde o início da temporada não houve a preocupação de construir um elenco vencedor. Se o dinheiro estivesse sendo empregado em um time verdadeiramente competitivo – argumento utilizado na carta -, tenho certeza que todos pagariam esse dinheiro sem chiar até a volta ao Independência. Mas o que vimos é um cenário completamente diferente, onde as limitações do elenco são enaltecidas pelo mandatário do clube quando o mesmo vai para a imprensa lavar roupa suja com o atual treinador. Enfim, melhor eu parar por aqui que o assunto não é este.

O que é importante é que o jogo em Varginha me surpreendeu positivamente. Confesso que jogar na Terra do ET contra times de Rio e São Paulo me deixava extremamente preocupado. Batia um receio de termos nossos torcedores abduzidos e que eles fossem substituídos por uma maioria do rival do dia. A experiência contra o América, no Mineiro de 2011, tinha sido muito bem sucedida, mas o jogo contra o Sport não foi um sucesso e isso preocupava.

Defendia que jogos de grande porte, como o Vasco, o Santos e o Corinthians fossem realizados em Ipatinga para reunir um público maior de cruzeirenses, sem o risco de sermos minoria, como aconteceu em Uberlândia. Mas a torcida compareceu em bom número e fez um espetáculo legal que pode ser acompanhado até nas transmissões.

O exemplo do Parque do Sabiá fica nas cabeças de todos nós até hoje. Creio que apenas os torcedores de lá querem que enfrentemos grandes equipes nacionais no Triângulo Mineiro– ou nem isso, porque sabem que não vai dar certo. Mas, ao contrário de muitos, eu ainda considero o Parque do Sabiá como uma opção, claro, para enfrentar Bahia, Portuguesa e afins. Até mesmo um Cruzeiro x Internacional poderia ser lá. O que não pode acontecer é a desculpa que “podemos colocar um grande público lá” porque não colocaremos, se der 20 mil já está excelente. E cá entre nós, colocar 20 mil em Uberlândia seria um feito muito bacana com o time no meio da tabela. Daria uma renda boa, um apoio bacana a um time que não é dos melhores e em vários momentos deixa vitórias escaparem pela falta de confiança em si mesmo.

Mas eu propunha uma divisão igualitária nestes cinco jogos que nos restam fora de Belo Horizonte – isso se não conseguirmos diminuir pela punição. Como o duelo contra o Internacional já está marcado para Varginha, defendo que Cruzeiro x Santos e Cruzeiro x Corinthians sejam realizados no Ipatingão, Lamegão ou o nome que aquele estádio na quente Ipatinga tiver agora. Não é apenas pelo “orgulho” de torcedor ao ser maioria, mas é que a torcida da capital teria mais chances de comparecer. Fora que o jogo contra o Corinthians é durante a semana e, em qualquer lugar do Brasil que você vá jogar, vai encher de gente na torcida adversária querendo ver o Neymar em campo, torcendo para a cracatoa mais famosa do país.

Contra a Portuguesa, acho que seria bacana dar um presente à grande torcida do Cruzeiro no Distrito Federal e fazer o jogo em Brasília. Seria um marketing excelente e uma oportunidade de fazer um agrado fora do estado. Não adianta querer criar uma segunda casa nessa situação, todos nós sabemos que jogando em uma cidade fixa do interior, os torcedores vão a dois ou três jogos e fica por isso mesmo, no quarto o público já cai consideravelmente. Por isso, fecharia a série de jogos fora em Juiz de Fora-RJ contra o Bahia Meu Rei. Até para diminuir um pouco a fama histórica que o pessoal da cidade do calçadão tem de cariocas perdidos no interior de Minas.

Independente disso tudo, jogar fora de Belo Horizonte a essa altura do campeonato é como sair para morar com uma esposa ou namorada, não dar certo e voltar para a casa dos pais com 35 ou 40 anos. Você sabe que não tem outra alternativa, mas fica extremamente incomodado, mesmo que pareça legal, que a torcida do interior mereça por direito ver o Cruzeiro às vezes e que seja uma demonstração de força fora da capital. Sou completamente favorável a jogar o Campeonato Mineiro de 2013 mandando os jogos pelo interior, tendo em vista que a volta ao Mineirão pode ser adiada até que a Seleção da CBF faça a reabertura oficial do estádio em algum amistoso caça-níquel.

A grande crítica que faço é como tudo isso é decidido. O Cruzeiro nunca consulta sócios e nem os torcedores comuns para tomar decisões que interferem diretamente na vida de todos. Por que tudo no clube tem que ser dessa maneira? Não custava nada fazer uma enquete no site, aberta para que os torcedores respondessem e tal. Se não pudesse jogar no lugar mais votado, por normas da CBF, por decisão da televisão – que paga pelo campeonato e tem sim que ser ouvida –, ou por motivos de logística, seria uma história completamente diferente. Mas teria a legitimidade de pelo menos ter ouvido a torcida ou parte considerável dela.

Queria muito saber o que vocês pensam sobre isso tudo nos comentários.

Uma ótima semana a todos.

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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1 Comentário

  • Bernardo Pereira Moreira

    ..muito bom..meu deus..que vergonha essa carta. isso só prova o que você falou.

    O Cruzeiro ainda é muito juvenil no que se trata de marketing, gerenciamento e está anos-luz atrás de clubes europeus e até norte americanos e não só do futebol. O clube deveria fazer tudo e mais um pouco em favor dos torcedores e que não ficasse preocupado somente com as “meras” arrecadações de associações, como se só isso fosse importante para o crescimento do clube.
    O simples fato de executar uma “peregrinação” dessas nas proximas rodadas já seria excelente e muito interessante. Os caras tem a faca e o queijo na mão mas não sabem fazer um misto quente. êêê dureza.