Não queremos

O Marcelo Oliveira é mais rejeitado no Cruzeiro que o Serra Beijoqueiro em São Paulo. (Foto: Paulo Liebert/Agência Estado)

E aí, tudo azul?

Depois do tsunami de erros cometidos pela diretoria do Cruzeiro ao longo de 2012 – tudo bem, o contrato com a Minas Arena para a utilização e exploração comercial do Mineirão foi um golaço do Dr. Gilvan -, eles atacam novamente e querem trazer o fraco e extremamente rejeitado pela China Azul Marcelo Oliveira para ser treinador do Cruzeiro na importante temporada de 2013.

E para manifestar a minha revolta com a provável contratação do treinador que levou o Coritiba a dois vices da Copa do Brasil – e só fez isso de importante em sua carreira, porque o Campeonato Paranaense é bem pior que o Mineiro –, eu não vou cair no lugar comum de dizer que ele é “atleticano” ou que “lugar de franga é no galinheiro”. Eu vou dizer que ele é ruim mesmo, fraco e no mesmo nível de um Vágner Mancini da vida.

Vou começar fazendo uma breve apresentação da carreira dele, sem Power Point ou data show, claro.

Eterno tampão quando algum treinador caía no Atlético Avenida do Contorno, o Marcelo era também o treinador da base. Sempre que caía algum treinador, ele estava à disposição e já tinha até a escalação pronta para o jogo seguinte.

Em uma parceria que fizeram com o CRB de Alagoas, no ano de 2008, o Marcelo foi como treinador com a finalidade de lançar algum jogador para o profissional – o elenco foi composto por vários jogadores da base do Atlético e outros lá de Alagoas mesmo. Ele conquistou o Campeonato Alagoano e imediatamente voltou para a sua antiga função de eterno Severino do Zorra Total, o quebra-galho.

Quando o Kalil Chiliquenta assumiu o Atlético – na transição da saída do Ziza Leôncio -, ele realmente teve uma oportunidade durante o Brasileiro de 2008. Treinou em 25 jogos, perdeu o único clássico que disputou – 2 a 0 para o Cruzeiro com gols de Guilherme e Jonathan – e o máximo que conseguiu foi uma vaga para a Sula Miranda. Para o time de Lourdes isso é o objetivo de todos os anos, mas aqui seria muito pouco – como foi neste ano com o Roth. Neste campeonato, ele lançou alguns fenômenos como Tchô, Eduardo – um atacante caneleiro que é genro dele – e Rafael Miranda – um dos volantes mais fracos que já vi jogar.

Após não ter mais espaço como eterno substituto, ele resolveu tentar um voo solo e o seu primeiro trabalho foi no Ex-Ipatinga em 2009, quando ganhou o Módulo II, e voltou em 2010. Chegou à final do Mineiro contra o time que o revelou após eliminar o Cruzeiro no Mineirão por 3 a 1, em um dia que nada deu certo e eu xinguei até a vigésima geração do Adilson Batista.

Credenciado por este trabalho, ele foi contratado pelo Paraná Clube para a disputa da Série B e fez um campeonato bastante irregular, alternando entre momentos de aspirações de acesso e outros de medo do rebaixamento para a Série C. Foi demitido em outubro – o time deu uma reagida assim que ele saiu – e acabou em sétimo.

Indicado pelo Ney Franco, que naquele momento era o treinador do Coritiba e tinha recebido o convite para treinar a Seleção Sub-20, ele assinou com o alviverde paranaense para a temporada 2011. Graças a seu trabalho no Paraná, houveram algumas críticas antes de sua contratação, mas ele acabou levando o time a um recorde, o de 24 partidas sem perder.

Só que este recorde – que é muito bom pelos números e tal – foi conquistado contra alguns times nada a ver. Ganhou dois Atletibas, certo, mas tirando estes dois derbies e um clássico contra o Paraná Clube, o único time expressivo que foi derrotado por eles foi o Palmeiras. Não que eu queira desmerecer, é um grande feito, tanto que está no Guinness. Só que ele pegou um time montado pelo bom Ney Franco. Fez poucas alterações e o único jogador que saiu do título da Série B de 2010 foi o Dudu.

Após este feito, chegou à final da Copa do Brasil contra o Vasco com todos os méritos. Não foi campeão por uma fatalidade e terminou o ano em oitavo no Brasileiro, mas com algumas atuações muito boas. Conforme disse no parágrafo anterior e repito, ele se valeu da base montada pelo Ney Franco para chegar aonde chegou. Tanto que o esquema tático da equipe era exatamente o mesmo e a única grande mudança feita por ele era a entrada do Leonardo – contratado junto ao Paraná Clube que ele trabalhava e hoje no Atlético – em alguns jogos substituindo o Bill.

Na temporada 2012, ele teria o desafio de repor algumas peças no elenco, principalmente no meio de campo, após as saídas de Leandro Donizete e Léo Gago. Conquistou o Paranaense mais uma vez – o time do CAP era horrendo no primeiro semestre e ainda assim conseguiu nos eliminar da Copa do Brasil – e chegou à final da Copa do Brasil com todos os méritos novamente. Mas na hora decisiva, ele “peidou na farofa” mais uma vez e foi derrotado pelo pior time do Guarani da Capital Paulista que eu já vi.

Seu ciclo no Coxa foi até meados de setembro, quando foi goleado pela Portuguesa por 3 a 0 no Canindé. Após isso, ele foi contratado pelo Vasco e passou por aquele vexame das 6 derrotas seguidas que todos nós já sabemos.

Ao contrário do que muitos dizem, ele não é um especialista em jogadores de base. Fez isso no Atlético porque ele ERA o treinador e tinha trabalhado com todos os atletas que poderiam ser utilizados no profissional. Seus trabalhos no Ex-Ipatinga, no Paraná e no Coritiba mostram isso. Apenas no Vasco ele teve que usar gente da base, mas foi por falta de dinheiro e pela saída de jogadores importantes como Diego Souza e Fágner.

Muitos torcedores dos clubes que ele treinou o consideram retranqueiro. Realmente, o Coritiba após tomar “sua cara” ficou um time bem mais defensivo do que era com o Ney Franco. Com as peças que tinha no Coxa, montava um esquema mais próximo ao 4-5-1, com dois meias – Éverton Ribeiro e Rafinha – e com o Leonardo de centroavante fixo. Seu sistema defensivo era composto por jogadores altos e um bom lateral-direito – a lateral-esquerda não era muito boa -, o Ayrton.

Para terminarmos a análise do Marcelo como treinador, não o quero aqui por ser “amarelão”, por não ter história suficiente para treinar o Cruzeiro. Pouco me importa se o cara é atleticano, sócio do Atlético, filho do Kalil ou o diabo que seja, me importa é que ele construa um Cruzeiro vencedor. Se fosse vivo, eu não teria problema algum em ver o Telê treinando o nosso time, e tenho certeza que vocês também não.

Além das características que apontei, ele não pode vir por sua rejeição. Alguns não o rejeitam por ter o nome atrelado ao rival, mas a grande maioria sim. E isso pesa. O Cruzeiro vem perdendo sua característica de clube do povo ao longo do ano. Primeiro com as dezenas de vendas do Perrella, agora por essa teimosia irritante do Gilvan. Nós temos sim que ser ouvidos, nós somos o Cruzeiro e não só meia dúzia de diretores e os conselheiros que os apóiam!

Se o presidente traz um técnico que tem cerca de 90% de rejeição da torcida, ele tem que arcar com as consequências de qualquer insucesso que tenhamos ao longo do ano. Se der certo, temos que reconhecer e eu vou ter que escrever outra Bíblia pedindo perdão ao Marcelo Oliveira e ao Gilvan.

Por fim, espero que a diretoria faça as escolhas certas para a temporada. Reforços e comissão técnica que não são do agrado dos torcedores não cairiam bem, ainda mais que tivemos duas temporadas de merda seguidas. Trazer um treinador que é mais rejeitado do que o Serra foi em São Paulo, não dá. É começar 2013 com os mesmos erros de 2012.

(Vocês querem o Marcelo Oliveira dentro ou fora do Cruzeiro? O que vocês acham dele?)

Uma ótima semana a todos e nos vemos domingo no Independência!

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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11 Comentários

  • @AnalistaCeleste

    É amigos, Felipão é o único técnico de ponta no mercado. O jeito é rezar.

    • Silvânio Ramos

      Apenas um “se não” no seu texto:
      Foram 24 vitórias seguidas e não 24 partidas invíctas!!! Mas isso não muda em nada!!! Marcelo Oliveira é um PÉSSIMO NOME – Mancine estaria acima dele, visto que é mais “campeão”…
      SAMPAOLI seria o melhor. E dizem que ele quer o Cruzeiro… Então…

      • Pedro Oliveira

        Pois é, eu cometi esse erro e esqueci de escrever vitórias seguidas. Achei que estava implícito, pois lia detalhes da campanha enquanto escrevia o texto. Hahahaha.

        Muito obrigado pela informação, amigo!

      • Pedro Oliveira

        Seria uma excelente alternativa, mas o Gilvan tem que agir rápido!

        • Vinícius

          Pena q se não contratar o Sampaoli logo vamos ver ele implantando seu esquema de jogo bonito e eficiente em alguma seleção sulamericana ou em algum outro time brasileiro.

        • Hugo Pinho

          Cara,sinceramente penso que o Sampaoli nai eh uma boa opçao. Ele pouco conhece do futebol brasileiro.Ele tem uma teoria interessante de jogo,mas nao poderia trazer mais nenhum estrangeiro,pois a cota esta esgotada.Creio que o Marcelo e um tecnico de nivel medio,mas que ao menos ele monte algo melhor que o Roth, e que ano que vem alguem com teoria de jogo como o Sampaoli venha e apenas implante seus metodos em uma base ja montada.

          • Pedro Oliveira

            Concordo com o Hugo, acho arriscado trazer um treinador estrangeiro para uma experiência sem poder trazer mais jogadores que ele conhece…

          • @AnalistaCeleste

            Felipão dando sopa no mercado. Gremio e Inter acertaram seus técnicos e nós buscando Marcelo Oliveira. É muito pensamento pequeno

            • Ricardo

              Ótima análise. Realmente pensar em Marcelo Oliveira é pensar pequeno. Não creio que Felipão seja a solução. É caro e decadente. Está muito difícil achar um bom técnico disponível.