O que é que eu vou fazer com essa irregularidade? [Santos 4 x 2 Cruzeiro – Brasileirão 2012]

"Estão assando a minha batata sem a menor cautela". (Foto: Denilton Dias/VIPCOMM)

E aí, tudo azul?

Começo esta análise parafraseando o genial Alexandre Pires, natural da pacata Uberlândia, para relatar como essa situação de instabilidade do Cruzeiro é incômoda. E foi isso que vimos, sentimos e vivenciamos nesta décima quinta rodada do Campeonato Brasileiro na derrota por 4 a 2 contra o Santos, na Vila Belmiro.

Queríamos uma reação após a derrota contra a Ponte Preta em casa. E enfrentar um adversário todo quebrado tinha tudo para ser a redenção que todos nós esperávamos.

E o jogo começou bem confuso no meio de campo, com um perde e ganha danado. E o Felipe Anderson acertou um chute do meio da rua – ê Fábio, para nos fazer passar medo em chutes de média ou longa distância – aos 21 minutos e fez 1×0 para o time da Sardinha. Vimos um desespero do Cruzeiro, com alguns jogadores como o Sandro Silva errando mais passes que um pai de santo em seu primeiro dia de trabalho.

Até que o Cyborges foi lá, fez o que todo mundo espera dele e empatou o jogo aos 28 minutos. Parecia que as coisas iriam melhorar, que o Cruzeiro poderia até buscar a virada e fazer a nossa noite de quarta bem mais feliz.

Mas, no ápice de toda essa irregularidade que o Cruzeiro vive, tomamos o segundo gol, aos 31 minutos, em um lance onde vi o Victor Andrade e o Leandrinho entrarem com tanta facilidade na zaga do Cruzeiro – em uma falha generalizada de todos os envolvidos – que cheguei a acreditar que aquilo era uma pelada de solteiros e casados.

Voltamos para o segundo tempo com um time diferente, com o Élber no lugar do Wallyson e o Charles “O Louco” no lugar do Sandro Silva. E realmente as coisas mudaram logo de cara.

O Cruzeiro, depois de anos, voltou a fazer um gol de falta. E pelos pés do Cangaceiro Ceará aos 5 minutos do segundo tempo. Não sei desde quando não fazíamos um gol de falta, mas muitos comentaram em nosso Twitter que isto não ocorria desde o Campeonato Brasileiro de 2010, com o Roger contra o Flamengo. Se alguém souber a data exata, nos conte nos comentários, por favor.

Melhoramos após o gol e até estávamos próximos da virada. Mas continuamos irregulares. Até que após uma cobrança de falta, quando ninguém marcou, tomamos o terceiro gol aos 14 minutos do segundo tempo com o Durval.

É aquela lógica da roda-gigante que nos acompanha e nos atormenta desde o início da temporada.

Para piorar nosso drama, entra o “excelente” Éverton em campo, no lugar do Tinga – que cego, com malária e sem as duas pernas, é melhor que o Éverton -, para avacalhar tudo de vez. Ele deveria ser amarrado como âncora em algum navio cargueiro que estivesse saindo do Porto de Santos para algum lugar bem longe, como Cingapura, Taiwan e afins.

E acabamos sofrendo o quarto gol aos 33 minutos, em um buraco no lado esquerdo com o Diego Renan e o Éverton, com o péssimo Bill concluindo uma jogada onde o impedimento tinha que ter sido marcado pelo bandeirinha. Para completar toda a palhaçada, o Élber ainda conseguiu ser expulso no último lance em uma simulação de pênalti que me obriga a perguntar: Por que os jogadores da base só entram em roubada no Cruzeiro?

Esse time do Santos é fraco, além de estar desfalcado de seu principal jogador. Tomamos quatro gols de um dos piores ataques do Brasileiro – só tinha feito nove gols até ontem. A zaga é ruim – o Dracena, que é o melhor zagueiro, está machucado até o final do ano – e os jogadores vindos da base ainda estão muito imaturos. Fora que eles insistem muito em praticar o esporte favorito do Neymar, o salto em distância na tentativa de induzir o árbitro a marcar pênaltis inexistentes.

Léo e Victorino não fazem a melhor dupla de zaga – na minha opinião – para o Cruzeiro, são zagueiros de características parecidas e não são muito altos. Não são de dar bicos para a frente e não fazem a linha ”zagueiro-zagueiro”. Para mim, a zaga é Caveirão Donato e um dos dois, de preferência o Léo pela vontade. O Ceará não estava bem no primeiro tempo, assim como o Diego Renan – que pelo menos está tendo coragem de chutar mais a gol – e o Fábio falhou de novo no primeiro gol do Santos.

De longe, o Sandro Silva foi o pior em campo. Ele jogou tão mal que anulou completamente o Leandro Guerreiro e o Tinga – que, apesar disso, também foram nulos no segundo tempo. Foi bem substituído pelo Charles – se entrasse um cone no lugar do Sandro Silva seria excelente do mesmo jeito. Mas o 4-3-1-2 não está dando certo, é preciso corrigir ou pensar em outro esquema.

O Borges está totalmente sozinho no ataque, falta trazer mais um atacante. Mas de que adianta batermos nessa tecla mais uma vez, né? O presidente está satisfeito com este ataque mesmo.

O meu amigo Stefano Poke fala sempre em #22pontosecontando. Mas eu já sigo outra corrente, a do #30pontoseacabou, porque a nossa realidade não foge da disputa por uma vaga na Copa Sula Miranda “A Rainha dos Caminhoneiros”. Tem muito time ruim para nos preocuparmos com rebaixamento neste momento, mas uma sequência desastrosa – como a de 2011 – pode nos jogar lá na briga e aí sim é para termos desespero.

O planejamento foi errado desde o início do ano. Iniciamos a temporada com reforços de qualidade duvidosa e com um treinador abaixo da crítica. Remontamos o time todo durante a temporada e trouxemos um novo treinador – que não é o maior culpado, mas que me arrependo mortalmente de ter apoiado sua vinda. E isso reflete dentro de campo, com o time alternando entre momentos horrorosos e momentos nos quais ele nos enche de esperança.

Confesso que essa derrota preocupa sim, mas ainda não é o fim do mundo. O fim do mundo é perder para o time horroroso do Bahia no sábado – acreditem, ele é pior que o Santos todo quebrado -, em Salvador Meu Rei.

Que o Cruzeiro consiga se encontrar em breve, né? Seguimos torcendo, mas está muito difícil acreditar em alguma coisa boa para esse ano.

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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5 Comentários

  • Stefano Poke

    “genial” Alexandre Pires é dose… Enfim…

    Terminamos o primeiro turno de 2011 com moral, havíamos ganho do todo-poderoso-timão com aquele golaço no Pacaembu. Até então, todos acreditavam em um Cruzeiro incomodo, um time que voltaria a jogar o que jogou na Libertadores e… e… e fomos por água abaixo.

    Tiramos o Joel, que montava uma retranca fudida (mas ganhava), queimamos o coitado do Emerson que não teve culpa e terminamos com o Mancini, pra FUGIR do rebaixamento na ÚLTIMA rodada, após duas ou três vitórias em todo o returno do campeonato. Não subestimem os deuses do futebol… vamos nos contentar com os #22PontosEContando.

    • Pedro Oliveira

      Em relação a 2011 eu concordo exatamente com tudo o que você disse, Poke…Mas não sei, vejo um pouco mais de entrega nesse time do que no do ano passado, o que não quer dizer muita coisa, mas é um pequeno alento, pelo menos!

    • Junão

      o Jeito e espera ate onde vai chegar
      to ate vendo no final do ano
      técnico Celso Roth e demitido apos quarta derrota seguida e Cruzeiro anuncia que vai permanece sem técnico ate o fim do ano
      tamo lascado com esses jogadores
      poderia fazer assim deixa Fabio, Borges, Ceara e quem tiver jogando o resto manda embora e poem a base no lugar ou contrata outros jogadores

      • Arthur

        Jogadores da Base em roubada?? Acho que foi você mesmo que falou que não existe essa de fogueira… Em de seus textos pedindo o proprio Elber, vocês tem que entender que o cara é ruim, baixinho, lento, não sabe o que faz com a bola e pra piorar sem preparo fisico. Quem viu o jogo viu o tanto que os meninos do santo são mais rapidos que todos do nosso time. Falar que foi fogueira colocar ele é ridiculo, ele jogou contra fraudinha sendo junvenil, porque ele tem 19 anos e os muleques 16. A base do cruzeiro é fraca, tem que aprender muito com Santos e São Paulo ainda.

        Quanto ao resto sempre comentei textos aqui falando que o problema do cruzeiro não era o WP e o ataque, que bom que agora estão percebendo.

        • Camila

          #30pontoseacabou