O vira da reação [Portuguesa x Cruzeiro – Brasileirão 2012]

E aí, tudo azul?

Depois de três derrotas que nos deixaram completamente frustrados, após termos provado o doce gosto da liderança e agora estarmos no incrível décimo lugar, o Cruzeiro vai a São Paulo enfrentar o Barcelona da Marginal do Rio Tietê em mais uma rodada do Bolsa Família de 2012. Será um jogo muito perigoso, afinal, estamos falando da Barcelusa, rival do Juventus da Mooca – clube que revelou o craque Wellingênio – e a maior torcida das padarias paulistas. E temos que ficar atentos aos muitos perigos que serão encontrados no Canindé, também conhecido como Beira-Rio Tietê.

Mas primeiro eu vou falar do nosso time, que está com um futebol tão vagabundo quanto a música das Empreguetes. A nossa carruagem virou abóbora. Mas não foi à meia-noite, foi no início do baile mesmo, antes mesmo de chegarmos à festa. Todos os velhos defeitos do Vagner Queixada voltaram piorados – vida de torcedor que escreve em blog é dura, amigos, pagamos língua o tempo inteiro –, mesmo com as diversas alterações promovidas pelo Sargento Celso Juarez, e entramos naquele desespero que nos amedrontava no início do campeonato. É como aquele carro que você manda para o conserto com o motor fundido, com o tanque de gasolina vazando e, além de voltar com os mesmos problemas, ainda pega fogo quando você acaba de sair da oficina.

Não é hora de culparmos ninguém, de sairmos mandando todo o elenco para a roça ou de descobrirmos ligações de todos os jogadores para o Carlinhos Cachoeira. O maior erro foi montar um time em janeiro, desmontá-lo e refazê-lo agora. Mesmo que o jogo contra o Grêmio tenha sido uma das maiores vergonhas que já presenciei em um estádio de futebol, temos que manter a serenidade antes de um jogo tão complexo como o que teremos no Canindé.

Que o Everton é ruim, que o Diego Renan é limitado, que os volantes estão mal e que o nosso sistema defensivo é fraco, todos nós sabemos. Só que o problema é que os nossos treinadores – sim, são problemas que vêm desde as épocas do Cuca Uruca e do Papai Joel – não percebem que o Cruzeiro não irá a lugar algum se não fizerem uma sessão descarrego para exorcizarem esses encostos que existem em nosso elenco. Não é possível que na base do Cruzeiro só existam pernetas, pés de chumbo, zagueiros que levam mais jeito para baianas de escolas de samba do que para jogadores de futebol, atacantes emprestados pela BHTrans e todos os outros tipos de perebas que tentam jogar futebol – como eu.

A iminente entrada do Ceará é positiva pela qualidade que ele pode trazer ao lado direito time – até porque é um lateral-direito de ofício. O problema é a forma física. Imagina se o cara entra, não suporta nem o primeiro tempo direito e já fica queimado? Assim o jogo fica mais difícil que concluir o trajeto da Marginal Tietê sem pegar um engarrafamento monstruoso durante o horário de pico.

Eu tiraria o Borges do time. Talvez a escalação dele entre os 11 titulares no Independência tenha sido um erro, poderia ter sido o caso de colocá-lo durante o jogo – o melhor a ser feito para o jogo em São Paulo –, mas aí é com o Roth. O Ramonstro teria melhores condições, até por estar mais entrosado com o restante do time, neste momento difícil que passamos.

O Mateus é outro que deveria seguir o caminho do banco. Por que não dar outra chance ao Caveirão Donato? Enfim, os critérios do Celso CAUTELOSO estão muito estranhos. Mas confio que as coisas irão mudar. Até porque o emprego do nosso ex-bigodudo favorito corre perigo se não voltarmos a ganhar logo. Mas fiquei muito feliz ao ver sua coragem, mesmo neste momento, de criticar o planejamento insano da diretoria.

Este time da Portuguesa não tem nada da Barcelusa de 2011. Está mais para um junta-junta de meia dúzia de padeiros associados de São Paulo. Venderam o Edno, o Marco Antônio e o Weverton, que era o goleiro titular. Bom, no gol eles estão em melhores condições que no ano passado, só que isso é assunto para daqui a pouco. Para as outras duas posições, as reposições foram péssimas. O mesmo vale para a zaga, que tinha o Mateus UFC de titular e não conseguiu firmar ninguém até agora.

Do time que perdeu para o Sport no meu amado Recife, eu considero o Lima (ex-Atlético de Lourdes), o Moisés(ex-América do Horto), o Marcelo Cordeiro (ex-Vice da Bahia e Inter) e o Guilherme bons jogadores. O Léo Silva tem futebol, mas é muito instável, coisa que já sabemos desde os tempos de Cruzeiro. O Geninho é um treinador abaixo da crítica em qualquer clube que esteja, mesmo que seja o Íbis ou o Barcelona Original.

O Canindé Beira-Rio Tietê é muito bom estádio. O problema é que anda mal cuidado demais. Estive lá em 2011 vendo um Portuguesa x Ponte Preta – jogo anterior ao título da Série B do ano passado e que milagrosamente estava lotado – e vi todas as facilidades de lá, até pude pegar o metrô e pegar uma balada na Augusta, onde uma japodeusa me enrolou a noite inteira e me fez pagar as Stellas Artois que ela bebeu. É do lado da Marginal do Rio Tietê, ou seja, terá cobertura não só da tevê a cabo, mas também do programa do Datena! Tem metrô atendendo à cidade de São Paulo toda e ônibus para todos os lugares do país, pois é só atravessar a Marginal que você está dentro da Rodoviária do Tietê. Se você inventar ir a pé, não tem problemas, a Marginal Tietê é a porta de entrada quando você vai de Belo Horizonte – e todo o estado de Minas Gerais – a São Paulo.

Voltando ao futebol, espero um jogo de dar calos nos olhos, daqueles que só deveriam ser permitidos para maiores de 90 anos acompanhados dos pais assistirem. Se bem que a Portuguesa não tem uma torcida muito grande, não me espanto se a torcida visitante for maioria e que poucas pessoas vejam esta tragédia in loco. O Cruzeiro anda mal, a Barcelusa é fraca. Não duvido nada que o Fábio e o Dida peçam cafezinhos que nem o Marcos fez uma vez durante uma partida do Guarani da Capital Paulista. Mas vamos apoiar, torcer e que tudo dê certo. Uma goleada de 1 x 0 seria muito de Deus.

Já falei do jogo, já contei histórias ocorridas em São Paulo, agora vou falar de um personagem que tem muita importância para mim: o Dida.

Bem, um cara que ganha uma Libertadores praticamente sozinho merecia uma estátua na porta da Toca II, independente de todas as brigas que ele teve ao sair do Cruzeiro. Muita gente gosta do Fábio e eu respeito. Mas o Dida é um herói, é um ídolo e está no mesmo patamar de Alex e Sorín. Eu sou eternamente grato a ele e gritarei o nome dele a plenos pulmões quando acontecer o Cruzeiro x Portuguesa em Belo Horizonte.

Não sei se ele vai ler este texto, mas digo tranquilamente: Dida, muito obrigado por todos os títulos, principalmente a Libertadores de 97. Obrigado por tudo que você fez pelo Cruzeiro. Obrigado por ter sido um dos maiores ídolos da minha infância (quem nunca gritou “DEEEEFENDEEEEEEEEEEEEEU DIIIIIIIIIIDAAAAAAAAAAAA”?) e da infância de milhões de cruzeirenses. Eu sou seu fã e lhe aplaudirei de pé quando voltar a Belo Horizonte.

Que consigamos uma excelente vitória no Canindé, é a hora do vira da reação. Até porque, sem a vitória, temos que ligar o sinal vermelho de alerta.

E que o Cruzeiro, no mínimo, dê uma placa ao Dida.

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

Deixe seu comentário

(Obrigatório)
(Obrigatório, Não será publicado)
Notificar por e-mail

Seja o primeiro a comentar este post