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E aí, tudo azul?

Eu confesso que em dezenove, vinte anos que acompanho o Cruzeiro, nunca vi tanta zica pairando no ar. Aí vocês podem falar, tudo bem, mas vinte anos é um espaço de tempo muito curto e não dá para tirar nenhuma conclusão de momento ruim, porque eu vi o Cruzeiro ganhar praticamente tudo, mas eu consultei até cruzeirenses mais antigos, que acompanham o time há coisa de cinquenta anos, que são do tempo que a nossa torcida se restringia à colônia italiana somada a um ou outro gato pingado que não queria ser atleticano ou americano, que eram os times dos pais destes torcedores, e nenhum viu um momento tão assustador como esse.

Às vezes eu me pergunto se pintaram a santa na Toca II, se fizeram algum acordo prejudicial para levar o estádio de algum time de bairro, se não soltaram o cachorro dentro do gramado ou se não pagaram o boi para ganhar algum campeonato. Mas aí me lembro que estou falando do Cruzeiro, que é time grande e não necessita de nenhum desses amadorismos.

O fato é que a situação está caótica lá no Cruzeiro. Você acha que tudo está péssimo, só que aí acontece algo pior ainda. E tudo começou com aquela fatídica derrota contra o Once Caldas.

Todos nós achamos que aquilo era o fundo do poço, ficamos as cinco rodadas iniciais sem vencer no Brasileiro e o Cuca foi embora. As coisas iam mudar com o Papai Joel, treinador experiente e, mesmo folclórico, com títulos. Ele comete mil burradas e é demitido. Aí você acha que o fundo do poço era brigar por uma honrosa décima posição no Brasileiro. Não era, o time despencou na tabela, frequentou a zona de rebaixamento, queimou o Emerson Ávila no clube para sempre – ou algum de vocês ainda o aceitaria como treinador do Cruzeiro? – e nos trouxe o pior treinador desde a época em que víamos Ivo Wortmann no nosso banco de reservas.

Como se isso não fosse o bastante, só escapamos do rebaixamento na última rodada, fizemos a terceira pior campanha do segundo turno, fomos os últimos de todos os clubes que permaneceram na Primeira Divisão, estamos vendo a montagem de um elenco de qualidade duvidosa e a única coisa que pudemos comemorar foi a saída do omisso Zezé Perrella.

O ano novo começou e o ditado que diz que com ele vem uma vida nova ficou só no papel. A novela do Montillo nunca acaba, o elenco montado é de qualidade duvidosa, os salários estavam atrasados, o presidente fez piadas sobre isso e nada do dinheiro da televisão, relativo ao contrato do Brasileiro de 2012, cair na nossa conta e parte dos problemas serem resolvidos.

Como azar é uma bola de neve, os jogadores vão e me escrevem uma “carta aberta” sobre isso, que não serviu para nada, a não ser para aumentar ainda mais o nosso calvário. E como a nossa situação é pior que a do jipe atolado na areia movediça, o Victorino bate o carro na Nossa Senhora do Carmo, mesmo não tendo sofrido nenhuma lesão – Graças a Deus não será desfalque contra o Guarani.

Os times do interior melhoraram um pouco, não vai ser um campeonato tão fácil como em 2011 ou em 2009, mas ainda assim só vamos ter noção de alguma coisa contra o primeiro adversário tradicional na Copa do Brasil ou no primeiro jogo contra algum time de nível razoável, ou seja, contra o América em março.

Até lá, nos resta ter otimismo e esperar que essa bruxa vá embora de uma vez da Toca da Raposa II, porque nós precisamos de muita sorte para um ano tão complicado – e sem tantas perspectivas como nos anos anteriores – como 2012.

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Autor do post:
Pedro Oliveira

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1 Comentário

  • Vinícius

    Ótimo texto. Ri muito com
    “Às vezes eu me pergunto se pintaram a santa na Toca II”
    e

    “e nos trouxe o pior treinador desde a época em que víamos Ivo Wortmann no nosso banco de reservas.”

    Apesar de ser triste, temos que encarar com bom humor. Mas a diretoria anda vacilando muito mesmo. Desde o ano passado.
    O que mais me deixa indignado é ver a contratação de refugos e perebas ao invés de aproveitar jogadores da nossa base. Um exemplo disso é a contratação desse Fabio Lopes e o empréstimo do Thiaguinho.