Vamos especular

"Esse texto tem o dedão Bottini de qualidade"

E aí, tudo azul?

A temporada acabou. Não teremos mais jogos dos campeonatos profissionais no Brasil– o Cruzeiro só volta a campo oficialmente no dia 3 de fevereiro -, não teremos mesas redondas discutindo os lances polêmicos da rodada do final de semana, não teremos nem aquelas entrevistas coletivas insuportáveis de treinadores ruins tentando explicar o inexplicável. E o que resta para encher o espaço dos noticiários esportivos em geral? Especulações!

Com a democratização da notícia – agora qualquer um pode noticiar o que quiser -, todo mundo revela o que soube por suas fontes, o que ouviu falar, enfim, o que quiser. Particularmente, eu sou um dos maiores fãs disso, já que não somos obrigados a esperar apenas os programas esportivos para sermos informados. Muita informação pode ser inútil, muita coisa pode ser inventada, mas é um cenário totalmente democrático.

E nesse cenário democrático, existem duas correntes de torcedores, a dos que odeiam as especulações e a dos que amam e se empolgam com todas elas.

Os que odeiam sempre alegam que isso aumenta o leilão que os empresários já fazem ou que atrapalha o clube. Realmente existem casos onde isso aconteceu, como a quase vinda do Mano Menezes para o Cruzeiro em 2008 – quando o Adilson veio – ou o negócio com o Grafite ter melado em 2004 – o São Paulo atravessou a negociação dele com o Cruzeiro e ele acabou defendendo o tricolor paulista. Só que há o velho argumento da falta de notícias. Sem as especulações os jornais, sites, televisões e rádios vão veicular o quê? Entrevistas repetidas durante a temporada? Retrospectiva dos jogos? Receitas de bolo?

Há a corrente dos que se empolgam. Realmente, ter pelo menos a esperança de ver o Carlinhos Bala – eterno rei de Pernambuco – de volta ao Cruzeiro é sensacional, mas não podemos sair confirmando sem a palavra do clube. E hoje é muito fácil inventar um boato. Fora que o empresário do jogador, interessado em fazer leilão, vai se empolgar e sair dizendo em toda a imprensa que é verdade sim, que foi procurado e que falta pouco para o negócio sair.

Para algo ser noticiado, ele tem que ter sido bem apurado. Isso é sacanagem com dezenas de crianças que já saem comprando as camisas de seus ídolos que estavam em outros times e depois são feitas de trouxas. Fora que coisas especuladas que estavam praticamente certas podem dar errado por mil e um motivos. Graças a esses erros, tem gente esperando o Riquelme até hoje no Aeroporto de Confins.

Confesso que não faço parte de nenhuma das duas correntes. Mas não me tirem por parâmetro, troco de estação(ou canal) em 99% das vezes que algum jogador começa a falar – me desculpem, mas as coletivas hoje em dia são quase todas iguais, com os jogadores querendo fazer média e respeitando demais o adversário, exceto as do Fábio que contêm doses exageradas de “Glória a Deus”.

E com as especulações é tudo mais chato ainda. O repórter fica procurando o jogador que se mete lá no meio do mato – otário, se eu tivesse a grana dele, trocava a cidade natal por algum resort bem fodão no Nordeste e ficava pagando de patrão em Fortaleza, Pipa, Porto de Galinhas, Costa do Sauípe, etc – em alguma ligação com o sinal horrível, o jogador fala que seria uma honra defender a equipe – orientado pelo empresário, claro – e depois falam com o empresário que sempre fala que o negócio está perto de sair – e é sempre a mesma conversa, seja com a CNN, seja com o jornal dos alunos da 5ª série.

Para acabar com esse processo insuportável, eu proponho uma revolução na maneira como vamos noticiar as transações do meio futebolístico.

Acho que os canais esportivos como Sportv, ESPN e afins deveriam contratar o Ciro Bottini por dois meses – dezembro e janeiro – para ficar anunciando jogadores o dia inteiro e repetindo “COMPRE, COMPRE, COMPRE” ou falando que o Sandro Silva tem o dedão Bottini de qualidade.

Se ele não aceitar, podiam fazer um acordo com todos os empresários de jogadores e substituir os leilões do Canal Rural pelos leilões de jogadores. Eu tenho certeza que todo mundo ia adorar este programa.

Além disso, estes leilões poderiam ser transmitidos na madrugada, só que de uma maneira diferente, como no “Medalhão Persa”. O jogador ficava exposto na televisão e o dirigente que ligasse para ele nos próximos cinco minutos compraria o jogador e ainda ganharia o frete grátis.

Muita gente ia falar que isso remeteria aos leilões de escravos, mas para esses chatos nós poderíamos fazer uma modalidade especial. Os jogadores seriam anunciados em vídeos repetitivos do Polishop durante as manhãs na tv a cabo, até que alguém contratasse o seu passe. A promoção seria excelente. Compre o Marcelo Oliveira e leve inteiramente grátis uma máquina de fazer sucos ou leve o Caveirão Donato, que não serve só para jogar na sua zaga, mas também pode ser segurança da sua boate ou capanga para bater nos folgados que você encontra pelas ruas. Seria genial!

Por fim, alguns programas esportivos que têm mais jabás do que notícias – ouviu, Milton Neves? -, poderiam vender os jogadores no lugar da Tekpix. O Juarez chega e anuncia o Fabinho com uma promoção exclusiva para os telespectadores do Jogo Aberto, com um desconto de R$ 0,99 para quem ligar agora e falar que está assistindo ao programa.

Tudo bem, eu sei que isso tudo são viagens minhas. Mas a realidade é que as especulações existem e sempre vão existir no meio do futebol. Por mais insano que seja, isso vende jornal, traz seguidores e entretêm os torcedores no período que não há um mísero jogo profissional para vermos – até porque os da base são nos horários mais ridículos possíveis e nem todos os canais passam os jogos.

Só espero não ser vendido nesse rolo todo de especulações.

(O que você acha das especulações? Gosta? Odeia? Comente!)

Um ótimo fim de semana a todos!

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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1 Comentário

  • Bernardo Pereira Moreira

    ahahhaaha Bottini é foda.
    mas eu num curto especulação muito não… m
    só quando é boa pra nós ehehehe
    ainda bem que janeiro é logo ali