Vencer ou vencer na terra do E.T. [Cruzeiro x Internacional – Brasileirão 2012]

E aí, tudo azul?

Após cinco rodadas dignas dos mais temíveis filmes do Jason ou do Freddy Krueger no Campeonato Brasileiro de 2012 – o último antes do fim do mundo -, o Cruzeiro volta à bela Varginha e enfrenta o Internacional neste sábado às 18:30. O confronto entre mineiros e gaúchos é válido pela vigésima sétima rodada do torneio ou a oitava do returno.

Confesso que começo o texto do mesmo jeito que comecei todos os textos do primeiro semestre deste ano. Extremamente desconfiado, com mil receios e até com medo de receber a solicitação de amizade do Fantasma do Rebaixamento no Facebook. Mas isso passará quando conseguirmos ganhar de novo. Só que está muito difícil ganhar, muitos dizem que as coisas não estão dando certo, que está tudo conspirando contra.

Na verdade, não tem nada conspirando contra. O que tem é um time que está em seu limite desde a reta final do turno e não consegue ir além do ponto ao qual chegou. Não que o time seja fraco, mas também não é um time excepcional, daqueles que encham os olhos não só de todos que gostam de futebol.

Mesmo com a melhora apresentada no primeiro tempo do jogo contra o São Paulo – foi, de longe, o melhor momento nos últimos cinco jogos -, com o time tendo mais troca de posições, se movimentando mais e até marcando mais no campo do adversário, o cenário não é dos melhores. Os jogadores do Cruzeiro não apresentam a menor tentativa de reagir, não tomam a iniciativa de mudar nada, são extremamente resignados com este péssimo momento. Nem aquele cara que pega a bola e tenta resolver sozinho aparece. É muita passividade e pouca atitude, enquanto o discurso de todos eles está impecável, sempre o mesmo e solicitando apoio da torcida.

E isso, de “momento de apoiar”, como disse o Leandro Guerreiro em sua última coletiva, não é a única solução. O time tem que fazer por onde. Até porque não tem como mudar, já acabou o período de contratações. Agora as únicas caras novas que podem aparecer são da base, como o Mayke e outros jogadores que podem ganhar a posição graças às lesões dos mais experientes do elenco.

O Celso Roth continua não sendo uma unanimidade e defendo que ele seja demitido se não vencermos o Internacional. Não é que ele seja um péssimo treinador, montou o time bem em algumas partidas, inclusive contra o São Paulo. E ele nem é o maior culpado de toda essa situação que o Cruzeiro vive. Só que não dá mais, o time não corresponde ao que ele deseja e seus métodos já não surtem tanta eficácia. Nem a característica de um time “mordedor” – comum aos times do Juarez – existe.

Tudo isso do elenco, do treinador e de instabilidade tem um principal responsável, que é o Gilvan Velha Surda.

Ele é o Ziza Valadares – eterno Leôncio – na versão cruzeirense. É o mesmo discurso de “não é comigo”, “a culpa é da gestão anterior” e “estou arrumando a casa”. E o planejamento de 2012 foi feito no melhor modelo Ziza, contratando um time para o campeonato estadual e montando outro para o nacional, esperando um insucesso na Copa do Brasil para trocar o treinador. Uma coisa digna de um Ipatinga da vida, de time iô-iô e medíocre, como as entrevistas do atual mandatário celeste. Como a última, que chorou as pitangas pela lesão do Alex Silva, falou que não pode deixar o time sem dinheiro e outras desculpas esfarrapadas mais.

Isso é culpa do modelo antidemocrático no qual o Cruzeiro é gerido. O torcedor não tem voz e nem vez. Há uma centralização que se iniciou nas gestões dos Irmãos Perrella. O Cruzeiro é do povo, tem que ter ideias inovadoras para que os torcedores a comprem e injetem dinheiro para suprir determinados prejuízos.

Enfim, depois de todo esse desabafo, volto a falar do jogo, que é o protagonista da semana. Eu acredito que vamos sim vencer o Internacional por um argumento bem simples. O Inter adora perder pontos para times que vêm como o Cruzeiro. Seria uma cópia gaúcha do Cruzeiro deste ano, mas com um elenco bem superior e inventando de jogar em um Beira-Rio todo quebrado – fato que eu acho ridículo.

O esquema do Fernandão não passa muita segurança, é um time que vem sofrendo muitos gols e tem um problema grave na defesa, já que o Moledo ainda não passa muita segurança. O Índio é um jogador experiente, mas está na curva “de declínio” na carreira, assim como o Tinga e o Souza.

O ataque deles é perigoso, mais pelo Damião do que pelo Forlán – emprestado pelo Atlético Mineiro -, que ainda não se encontrou no futebol brasileiro. O meio de campo deles ainda não se encontrou totalmente após a saída do Oscar. O Fred é bom, o D’Alessandro estava melhor no início do ano, o Guiñazu é um leão na marcação e o Ygor é aquele típico jogador que não passa a menor confiança.

Dá sim para vencermos. Não só porque um copo de cachaça é bem mais gostoso que uma cuia de chimarrão – confesso que gosto de chimarrão -, ou porque temos mulheres tão lindas como as do Rio Grande do Sul, ou ainda porque seria muito bom misturar o churrasco deles com um prato do nosso tropeiro.

Dá para vencer pela perspectiva de termos um titular na lateral-direita – seja com o Ceará ou com a estreia do Mayke -, isso tem feito muita falta. O Martinuccio pode e deve ser uma boa alternativa para o segundo tempo e não aparece algo novo nas substituições há um bom tempo. Confio no Borges e no seu faro de gol. E a zaga vai anular o Forlán e o Damião. Só não confio que o Árias finalmente estreará, essa eu pago para ver!

Além de tudo isso, o cenário nunca foi tão favorável. O Inter não ganha uma partida fora de casa há 2 meses, não vence o Cruzeiro em Minas Gerais há 25 anos e ainda não perdemos no estádio da Mulher Melão – isso contando os jogos desde 2011. Tudo pode e vai dar certo. Só aposto em uma goleada de 1 a 0 porque, é, vocês sabem o porquê! Não dá para acreditar que será um jogo incrível com um time tão inseguro e constante – para o mau futebol – como este.

O Estádio Municipal de Varginha, também conhecido como campo de pouso de discos voadores. (Foto: Assessoria de Comunicação/Prefeitura de Varginha)

Uma vitória pode dar confiança para uma boa atuação no Olímpico, uma vitória sobre a Portuguesa e, com mais dois ou três bons resultados, chegarmos logo aos 45 pontos. Se formos para a Sula, está excelente, mas primeiro vamos afastar o Fantasma, né?

Um ótimo final de semana a todos e um bom jogo para todos nós!

Vamos, Cruzeiro!

Autor do post:
Pedro Oliveira

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