Vergonha
A primeira lembrança que tenho do Palmeiras é o campeonato de 1993. Com então 7 anos, não entendia o desespero da minha família com a situação do clube, a esperança pela conquista de um título, a angústia depois do primeiro jogo da final, a explosão de alegria e felicidade incontrolável depois dos 4 a zero. Para mim, o Palmeiras sempre foi um time campeão. Um time grande, muito grande.
O Palmeiras sempre foi manchete dos jornais, manchetes boas. Títulos, vitórias, conquistas. O Palmeiras tinha sua própria revista. Teve seu álbum de figurinhas. O Palmeiras era modelo de marketing, era modelo de administração, modelo de time. A academia estava de volta.
Cresci vendo isso. Cresci num mundo onde o Palmeiras era um dos maiores times do Brasil, das Américas, do mundo. Pesquisei sobre a história do Palmeiras. Um time de muitas glórias, muitos títulos. Claro, não quis saber muito sobre a década de 80, a fila. Sabia o suficiente: times medíocres, derrotas vergonhosas. Um cenário que tinha ficado no passado.
A parceria acabou, mas o palmeirense não estava preocupado. Era só manter a estrutura. Em 2 anos, fomos do mundial à série B. Descobri que o cara que nos levou para a segunda divisão foi o mesmo cara que nos fez passar tanta vergonha nos anos 80. E nunca entendi porque ele continuava no clube.
A cada derrota, a cada vergonha, ouço piadas dos outros torcedores, dizendo que o Palmeiras está se apequenando, que é a nova Lusa, ou o Palmeirinha da Turiaçu. Sempre repudiei essas piadas, sempre acreditei que o Palmeiras voltará a ser vencedor um dia.
Até que hoje, ao ver o noticiário com a agressão sofrida pelo João Victor, tive que ouvir uma pergunta de alguém que entende pouco de futebol. Minha mãe perguntou: “Com tantos problemas, esse time corre o risco de acabar?”.
Fiquei olhando e pensando. Pela primeira vez, não respondi sem pestanejar. Pela primeira vez, não respondi. Porque não tinha uma resposta. Porque eu não sei.
Não estou pessimista. Simplesmente não sei qual é o futuro do Palmeiras. Brigas políticas acima do bem do clube. Vândalos disfarçados de torcedores agredindo jogadores. O Palmeiras é o time da piada pronta.
A culpa não é da imprensa. Não é da arbitragem. Não é do treinador, nem dos jogadores. A culpa é do próprio Palmeiras. Já não sei se todos que lá estão na diretoria e no conselho são palmeirenses de verdade. Não é possível que alguém coloque interesses pessoais acima do bem do clube.
O palmeirense de verdade está chateado. Resignado, envergonhado. Triste. A crise parece interminável. Só peço que não chamem de torcedores estes animais que agrediram o João Victor. Isso não é torcedor. Isso não deveria ser chamado de ser humano. Vândalos, facção criminosa, cretinos, crápulas são palavras mais apropriadas.
As mesmas palavras valem para aqueles que estão lá dentro querendo o mal do clube. Pessoas que querem acabar com uma instituição de quase 100 anos, com uma história de lutas e glórias como a nossa só podem ser pessoas muito pequenas.
Devolvam nosso Palmeiras. Por favor.

Impondo respeito
De Vento em Popa
No Sufoco
Cara de Mau










Thiago, a verdade é que muitos diretores e conselheiros que estão no Palmeiras não são Palmeirenses. Existem muitos senhores bons e que defendem somente os interesses do verdão. Mas outros só estão lá para tirar proveito do que é a nossa maior alegria.
Me senti assim também durante a noite, mas uma coisa posso confirmar, eu ainda acredito, apesar da dificuldade e da tristeza de tudo isso.
Infelizmente sou obrigado a dizer que vc foi muito feliz nas suas palavras e que isto é a prura verdade. Hoje eu me sinto envergonhado de declamar o meu amor pelo Palmeiras ou vestir a camisa do meu cuble. Acredito que o Palmeiras merece mais respeito, garra, amor, honra, gana, vontade e dedicação, pois o Palmeiras e grande e tem um história a ser respeitada.