A semente plantada com orgulho rubro-verde.

Amigos da nau lusitana,

Hoje peço licença para homenagear uma pessoa que não esta mais entre nós, mas que foi o principal responsável por esta minha paixão lusitana: meu saudoso pai !

Ainda bebê, sem saber fazer outras coisas a não ser sujar fraldas e mamar, ele me vestiu com o manto rubro-verde.

Ir ao Canindé era motivo de festa.

Não pelo time em si (que na época tinha jogadores do quilate de Edu Marangon, Toninho, Luis Pereira, Jorginho, Kita, entre outros craques), e sim pelo fato de minha mãe sempre nos levar no parquinho do clube e depois acontecia o tradicional piquenique em um dos gramados do Canindé.

Fui crescendo e a profissão de meu pai (dono de padaria como todo bom português), foi nos afastando do estádio.

Cresci ouvindo e lendo muito sobre a Lusa.

Roberto Dinamite, Dener, Zé Roberto, Rodrigo Fabri…esses foram alguns dos craques de verdade que cresci vendo honrar as cores da Portuguesa e me fazendo sentir orgulho de ser Lusa.

Nessa minha história com meu pai, alguns fatos me marcaram:

Tentei até mudar de time, pois não aguentava mais ser sacaneado na escola pelos colegas…naquela época (o saudade …era sacaneados por derrotas nos clássicos e por não ter títulos, mas éramos respeitados) São Paulo e Palmeiras montavam grandes times (lá pelos anos 90) mas não consegui. A semente que meu pai plantou dentro de mim já tinha criado raízes e se tornado forte dentro de mim e esta paixão vive dentro de mim até hoje.

Em 96, assisti ao lado dele e choramos juntos dentro do ginásio da Lusa assistindo a derrota para o Grêmio na final do Brasileiro, mas aquele orgulho de ser Lusa fez com que saíssemos do Canindé e na direção do caminho de casa, fossemos buzinando o carro como se o time tivesse sido campeão.

Em 97, no Pacaembu, ao lado de meu irmão (que se tornou São-Paulino), assistimos ao emblemático 7 x 2 Eterno. Me lembro até hoje de meu pai ficando no meio entre eu e meu irmão nos separando pois ele não suportava mais eu gritar gol na orelha dele…e olha que aquele dia saiu gol de tudo quanto foi jeito !

Agora o último ato, a gente nunca esquece.

A Lusa caiu em 2002 e fiquei revoltado naquele domingo, 17 de novembro de 2002, e, quando meu pai chegou pensei que ele estaria revoltado como eu, mas ele estava calado.

Naquela noite, eu falei, reclamei, xinguei, chorei…e meu pai permaneceu calado. Como se estivesse contendo o sofrimento pelo fato.

O último ato de meu pai comigo no Canindé foi na noite do dia 25/07/2003.

A Lusa vinha fazendo uma excelente campanha até aquele momento e venceu o Náutico por 2 x 1 com gols de Alex Alves, então destaque do time.

Aquele jogo marcou a última partida de Alex Alves (vendido ao Cruzeiro).

E também a última que assisti nas arquibancadas com meu saudoso pai.

A saída de Alex Alves desmontou o esquema tático do time e caímos em decadência no resto do Campeonato.

O ingresso eu tenho guardado até hoje.

Eu não sabia que aquele seria o último jogo do meu pai comigo no Canindé.

Uma terça-feira gelada marcou a última partida que assisti ao lado do meu pai.

Naquele mesmo ano, a vida dele foi roubada por um infarte fulminante.

Aos 59 anos ele nos deixou.

Quase 10 anos depois desse ato, a saudade só se faz aumentar a cada dia.

Mas a semente que ele plantou em mim floresceu.

Hoje, minha filha de 5 anos (que não conheceu o avô) grita Lusa junto comigo.

Desde os 9 meses de vida, ela conheceu o caminho do Canindé, e o sentimento rubro-verde de torcer e viver essas cores e esse time.

Hoje, meu saudoso pai estaria completando 69 anos.

No mesmo dia que o craque Éneas faria 59.

Um dia mais que especial.

Uma homenagem aquele me deu a vida e me ensinou o que é amar as cores rubro-verdes.

Lusa, não importa onde você esteja ou como esteja. Sempre te amarei.

Pai, obrigado por tudo !

Semente plantada dando frutos rubro-verdes !

 

 

Autor do post:
Rodrigo Guilhoto

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4 Comentários

  • Rogerio Antônio

    Bela homenagem ao seu pai! Com certeza aonde ele estiver estará olhando para você e torcendo para a Lusa. Abs, Rogério Quideroli

    • Luiz Filho

      Rodrigo,

      Parabéns pelo texto e pela bela homenagem!

      Abs,

      Luiz Filho

      • João Neto Oliveira

        Parabéns Rodrigo, reconhecer a importância da família hoje em dia é algo tão raro, não há como não cumprimentá-lo pela homenagem. Compartilho do mesmo pensamento, procuro desfrutar a companhia dos meus pais, senti-los próximos me conforta.
        Também não importa em qual divisão ou qual colocação a lusa esteja, sempre estarei ao seu lado, o amor que sinto, independe de conquistas, badalações, o meu amor por ti é puro, genuino e sobretudo incondicional.
        Que dane-se os títulos, as vitórias, eu amo a Portuguesa.
        Mais uma vez, parabéns Rodrigo!

        • Rejane Ramos

          Ele deixou várias sementes boas muito mais que o amor pela Lusa…..caráter, honestidade, humildade…….pessoa especial que vc é