Preocupante

Sim, está ficando repetitivo, apesar do desempenho pífio da derrota para o Cruzeiro. A Portuguesa mais uma vez apresentou um excelente volume de jogo, contra um dos melhores, se não o melhor, times do Brasil, o Corinthians, mas não transformar a superioridade territorial em golos, sobretudo na primeira parte do clássico realizado no Pacaembu.

A partida contra o time de Minas foi exceção. Invariavelmente a Lusa de Geninho apresenta um futebol surpreendentemente vistoso, de variações táticas, de domínio de posse de bola. No entanto, é um domínio infrutífero, um tanto mentiroso.
 
O futebol da Portuguesa é tão profundo quanto uma piscina infantil. O time detém a bola durante boa parte do tempo, mas não sabe o que fazer com ela. O esférico roda, roda, roda, vai para o lateral, passa pelos trincos, anda pela outra lateral e, quando tenta-se uma jogada mais aguda, bate nos inoperantes avançados lusos e volta.
 
As principais jogadas de ataque da equipa acabam saindo dos pés do excelente Guilherme, que fez sua sexta partida no campeonato e, se entrar em campo contra o Flamengo na quinta-feira, excederá o limite permitido e não poderá ser transferido para outra equipa do certame. Pelo que vem apresentando no campo e nas entrevistas, acredito que o camisola de número oito esteja no onze inicial do próximo jogo.
 
Acontece que ele, Guilherme, não pode atuar na criação das jogadas. Ele não tem essa característica. O problema é que ninguém tem. Michael, o meia de ofício de que dispõe o treinador, frequenta mais o departamento médico que o relvado, e Héverton, que voltou depois de um ano longe da torcida que o escorraçou, é mais um avançado de lado de campo que um gancho propriamente dito. Ananias e Henrique, outras opções para o setor, são jogadores para abrir o jogo. Sem ter quem os acione, porém, acabam ficando à parte na partida.
 
Isto posto, a despeito do que parece ser e tem sido vendido nas entrevistas, a situação da Lusa é sim preocupante. Jogos como o de ontem, quando o time mais forte se apresenta bem abaixo do que pode produzir, são para vencer. Salvo uma surpresa, como alguém começar a jogar tudo do nada, o time é isso aí mesmo: muita transpiração, alguma inspiração e a absoluta falta de saber o que fazer com a bola. 
Autor do post:
Marcos Teixeira

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