Repúdio

Desde que resolvi ser jornalista, minha postura mudou. Deixei de fazer determinados tipos de comentário nas redes sociais apenas porque acho que somos responsáveis pelo que falamos, e que em algum momento o que eu disser volta pra mim, como uma pedra que é atirada pra cima. Ela desce mais pesada.
No início deste ano, tornei-me assessor de imprensa da Portuguesa e restringi ainda mais os temas abordados por mim, abertamente. Não poderia criticar o meu empregador, pois não sou burro (apesar de muita gente achar o contrário), tampouco elogiar, pois do lado de cá do balcão eu deixo de ter isenção para tal.
Entretanto algumas coisas exigem mudanças de comportamento. Mesmo não sendo saudável ou sensato de ser feito. Por mais que o lado profissional exija uma distância, uma frieza, futebol é movido pela paixão e é impossível manter-se frio o tempo todo, principalmente depois dos acontecimentos do jogo contra o Grêmio.
Trabalhar para a partida, de antemão muito difícil, conseguir dar a volta a uma situação completamente desfavorável e ver tudo desmoronar por causa da atuação nefasta da arbitragem causa mais que dor. Causa repulsa, indignação.
É difícil manter o equilíbrio e o bom humor. Perder é do jogo, assim como vencer também é e se faz necessário que o preparo seja feito para as duas situações. O árbitro é passível de erros, posto que é humano, e esta é outra circunstância inerente ao jogo: o erro. Só que existem erros inaceitáveis, assim como os de Curitiba. Sequências deles, então, chegam a cheirar mal.
Os jogos da Portuguesa, em casa, têm sido marcados para horários desfavoráveis, o que afugenta ainda mais a presença do torcedor. A cota de TV, então, chega a ser ínfima, quase uma piada, se comparada com o que times “de massa” recebem. Acabamos ficando sem a receita da TV e sem o que poderia ser arrecadado nas bilheterias, caso nossos horários fossem decentes. Potencializam a desigualdade e, então, sem recursos, torna-se preciso buscar soluções, mesmo que desagradáveis. Aí “vende-se” o mando, o que não agrada ninguém.
Mas engana-se quem pensa que fazemos isso por gosto. O dinheiro que entrará equivale a mais de dez bilheterias “comuns”, por assim dizer. Acontece que, ao tapar um santo, acabamos descobrindo outro, quiçá tão milagreiro quanto. Perdemos o fator campo, que é importantíssimo. Mas e aí? Como faz? É a escolha que Sofia precisa fazer. E sempre haverá descontentes.
O trabalho que vem sendo feito acaba por ser julgado a partir da frialdade dos números. Só que os números ficam viciados, comprometidos. Campeonatos são decididos assim. Rebaixamentos também.
Autor do post:
Marcos Teixeira

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