Sobre a resignação

Poucas coisas são tão difíceis como falar sobre o que não existiu. Não se fala de um encontro quando uma das partes não foi. Assim foi o time da Portuguesa contra o Cruzeiro, na gélida noite de inverno paulistano. A Lusa não foi sequer um rascunho mal-ajambrado de time de futebol. Não teve nada: nem brio, nem raça, nem jogo. Nada.

Geninho armou o time numa espécie de 5-3-2 que mais parecia um “cinco-três-menos-dois”, com três beques para marcar dois atacantes cruzeirenses,Wellington Paulista e Borges. Os laterais mal se atreviam  a passar da linha do meio-campo e os três trincos, Guilherme, Ferdinando e Moisés, não conseguiam trocar passes ou criar algo no oceano azul que foi o meio de campo do Cruzeiro, e a dupla de “ataque”, formada pelos péssimos William Xavier e Diego Vianna, foi digna de pena.

Na primeira metade do primeiro tempo o Cruzeiro pouco incomodou ou se incomodou. Depois, ao adiantar a marcação, anulou de vez o setor de criação da Portuguesa, que insistia em afunilar o jogo. 

No início do segundo tempo, Geninho tentou arrumar o time sacando os (menos) dois inoperantes jogadores de frente, fazendo entrar Héverton e Ricardo Jesus. Como não havia existido até então, a tendência seria a produção ofensiva melhorar, mas o time teimava em tentar furar o bloqueio cruzeirense pelo meio. Uma solução seria a saída de um dos zagueiros para a entrada do meia Henrique, para abrir o jogo. 

Mas Geninho é um homem de convicções, que não arreda o pé do seu esquema de três beques, que até vinha funcionando bem. Mas neste jogo não era necessário, uma vez que os laterais não desceram. Com um jogador mais agudo, conseguiria abrir espaços, principalmente para os tiros de longe de Guilherme, Moisés e Héverton.  

Aí veio o pênalti besta do Rogério no Borges, a expulsão do beque e o segundo gol mineiro num contra-ataque letal, assim, de arrasto. Aí,com a vaca já deitada, Geninho colocou Henrique, mas puxou um dos volantes para fazer o terceiro zagueiro, e ainda assim não criou uma oportunidade sequer de gol. Se nos outros jogos o time de Geninho criava, jogava bem, mas não conseguia transformar em gol o bom futebol apresentado, neste foi um time absolutamente insosso, entregue, fedendo a descenso. 

A torcida, que não vibrava sequer quando um carrinho era dado, continuou calada, resignada, sem forças até para protestar, num sintoma claro de quem aceita seu fadário, mesmo após o apito final, que acabou com um jogo que sequer existiu.   

Autor do post:
Marcos Teixeira

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