Série D de Drama e Desconfiança
De início vou logo afirmando que não existe torcedor(a) do Santa Cruz no mundo que deseje que o Clube saia deste buraco mais que eu. Aceito até que tenha igual, não mais que isso. E, por tanto desejar a nossa superação e jamais ter deixado de apoiar é que me asseguro o direito de desconfiar, de criticar, e cobrar. Não pelas tragédias passadas, porque o que eu prezo é o hoje, mas pela inteligência que me nego deixar ser superada pela cegueira de uma paixão.
O que se viu ontem no Arruda foi patético. Um presente de grego para os pais que comemoravam o seu dia no Mundão, incluindo o meu. E o fim da minha certeza ao acesso a Série C. E antes de ser apedrejada, explico que o “fim da certeza” não significa que passei a jogar contra. Muito pelo contrário, assumo hoje o papel de torcedora chata e crítica para ver se as coisas melhoram pro nosso lado. Se com elogios, grandes públicos, muito apoio e paparicos não funciona. Resolvi virar o jogo. A partir de hoje, serei Dani, a chata.
Ontem, encerrou-se os jogos de ida dessa fase, foram 4, fui a todos. Vi tudo ao vivo e a cores. E afirmo com procedência que com este futebolzinho, que a princípio culpei gramados, chuvas e desfalques, não me surpreenderia nada uma desclassificação em um dos dois mata-matas que nos aguarda. Essa fase não preocupa tanto, acredito que no máximo ficamos como segundo colocado deste fraco grupo, atrás exatamente do xará do Rio Grande. Basta perdermos pra ele no nosso próximo jogo que não o alcançaremos mais.
O Santa Cruz do RN que perdeu, mas saiu aplaudido por sua torcida que compareceu ontem ao estádio. Jogou com propriedade, jogo aberto, franco, sem medo, sem ficar esperando contra-ataques. Como há tempos eu não via pelo Arruda. Demoraram 15 minutos pra entrar no clima e chutar a gol, mas depois disso soube se dar o respeito e correu atrás do resultado até o fim do jogo. Merecidos aplausos.
Do lado do Santa Cruz, o nosso, apenas um gol relâmpago aos 3 minutos. O homem-gol, o Kyros, que só fez isso, saiu vaiado. Na sua entrevista disse que o que valia era os 3 pontos e que pediu pra sair porque cansou. Segue outro ponto, o preparo físico. Já é uma constante neste time do Santa Cruz, metade do time cansa, outros levam amarelos tolos, cinco estão no DM, só existem 3 substituições possíveis e poucas alternativas. Tenho até pena do treinador. Que ontem até inverteu as posições do Jeovânio e do Leandro Souza porque o segundo já tinha amarelo e não podia mais fazer o último combate pra não ser expulso. Ao menos essa foi a minha leitura, sabe-se lá o que se passa na cabeça do Zé Teodoro.
Enfim, ganhamos, lideramos, estamos invictos, e mais uma vez folgamos. 15 dias para arrumar a casa novamente, recuperar o DM e montar um time capaz de não apenas vencer ou empatar, mas de me convencer. De me fazer voltar a acreditar sem medos. Estarei lá. Mais uma vez para apoiar. Consciente de que só dependemos de nós e desejando muito que dessa vez o final seja bem diferente.
E aos “não-chatos” e que se acham super-torcedores porque não vaiam, não criticam e só alisam. A culpa dessa desgraceira toda é exatamente de vocês, passivos e iludidos. Ninguém aqui quer show de bola, isso é Série D, queremos raça e a certeza de que vamos pro jogo pra ver o time vencer, ou ao menos tentando, buscando a vitória. Com objetivo, com propriedade. Não estou apoiando quem vaia um jogador que fez o gol da vitória, mesmo reconhecendo as suas limitações. Mas também reconheço que ao vaiá-lo, a torcida quer atingir os seu superiores, mostrar que aquilo ali não está bom. E é a pura verdade. É assim que funciona no futebol. E quem não tiver capacidade para compreender isso procure outro esporte pra torcer. O futebol é ingrato, não cabe sensibilidade, e paciência tem limite.
Saudações Corais!!!

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