O nosso 11 de setembro também foi de tragédias
Texto de Rafael Furlan
No último domingo, 11 de setembro, dez anos após o famoso evento de 2001 que redirecionou a economia e a política internacionais de forma irreversível, outro fato marcante ocorreu: uma trágica derrota em casa fez com que o Santo André desse adeus a qualquer possibilidade, ainda que remota, de manter esperança no acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. Até as ruínas do estádio Bruno José Daniel nós tínhamos em comum com a maior tragédia norte-americana…
A princípio, pode parecer um acontecimento corriqueiro. Entretanto, talvez seja essa a data divisora de águas entre o Santo André emergente dos anos 2000, que galgava seu espaço na intermediária entre o mainstream e as trevas do futebol brasileiro, e o Santo André dos anos 2010, que parece cada vez mais fadado ao apagar dos holofotes, ao fim dos torneios glamorosos, à vida singela e humilde de time pequeno, segundo time, time de sábado de manhã em canais UHF.
Para os torcedores, este 11 de setembro de 2011 é um marco negativo na história do clube e de suas vidas. Fica claro, a partir desta data, que não há perspectiva alguma de que o clube se reestruture, a queda livre rumo às divisões mais inferiores e remotas se faz inevitável, e há até mesmo o temor de que o clube um dia venha a abandonar o profissionalismo, pelo acúmulo de (supostas) dívidas que a gestão dita empresarial e moderna de seu futebol profissional vem acumulando.
No próximo domingo, o Ramalhão se despede da série C deste ano, jogando fora de casa contra o Brasil de Pelotas. Perdendo ou empatando, despede-se da série C também em 2012, pois será rebaixado à quarta e última divisão do futebol profissional brasileiro, um pântano tenebroso de onde poucos conseguem sair dando a volta por cima. Ganhando, escapa do rebaixamento e terá nova chance de disputar a série C em 2012, antes que as profecias se cumpram e o mundo dos andreenses acabe.



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