Na Geral – Entrevista com Arnaldo Ribeiro
Arnaldo Ribeiro é comentarista da ESPN Brasil e redator-chefe da Revista Placar, onde tem seu blog. Um dos caras mais coerentes e tranquilos do jornalismo esportivo atual. Faz parte do clube dos que vêem a tática de uma maneira diferente, mais analítica, mais presente e muito mais importantes. Claro, como todo brasileiro, sem deixar de elogiar e incentivar o nosso futebol-arte.
A entrevista aconteceu por email, mas a agilidade e disponibilidade de Arnaldo foi surpreendente. Mesmo com nossos “livros” de perguntas, respondeu a todas em apenas um dia.
Obrigado Arnaldo.
A seguir, o bate-papo:
Geraldinos: Qual sua formação e trajetória até os dias de hoje?
Arnaldo Ribeiro: Me formei em jornalismo pela PUC, de São Paulo, em 1992. Mas comecei a trabalhar na área bem antes disso. Em 1990, fiz um estágio na TV Manchete. Em 1991, fui contratado pelo Jornal Notícias Populares, uma baita escola para mim. Trabalhei no Esporte, mas fiz várias outras matérias, inclusive crimes etc. O NP me garantiu versatilidade, visão de mundo, das agruras do mundo. Em 1994, fui para a Folha S. Paulo. Cobri clubes da capital e virei repórter da seleção brasileira, até me transferir para o Estadão, em 1998, contratado para cobrir a Copa da França. Cheguei à Placar em 2000. Cobri a Copa de 2002 e, em 2004, comecei a conciliar Placar e ESPN Brasil, como faço até hoje.
G: O que te levou a ser um jornalista esportivo?
AR: Na verdade, prestei jornalismo (como também história, direito, cinema…) pela paixão pelo futebol. Mas caí na área esportiva por acaso. Quando fui contratado pelo NP, sem saber do destino, havia uma vaga justamente na editoria de Esportes. Aí, foi só conciliar o útil ao agradável. Diferentemente de vários colegas, nunca vi o esporte como trampolim para outra área. Mudar para outra área agora é praticamente impossível.
G: Excluindo o tema, existe diferença na maneira de proceder entre um jornalista de esportes e, por exempo, um jornalista de política
AR: Se existe, não deveria. Acho que a virtude da nova geração de jornalistas esportivos é encarar a área como um fim e não como um meio na carreira. Os preceitos básicos da profissão são os mesmos, independentemente da área.
G: Há espaço para inovação na crônica esportiva brasileira? E, quando pergunto, não quero dizer especificamente se ele acha bom se houvesse inovação. Quero saber se há barreiras. Emissoras de TV muito confortáveis? Jornais impressos covardes? Relativo descrédito com a internet?
AR: Há espaço. Acho que hoje existe um conflito de gerações entre os jornalistas esportivos. Muitos, da antiga geração, não gostam, por exemplo, do futebol como ele é hoje. Um jogo diferente, dinâmico, duro, tático… Resolvido esse impasse, temos muito espaço para inovações. O que me preocupa também é o problema de o futebol brasileiro hoje ser basicamente um produto da Rede Globo, que determina horários, tabelas, fórmulas de disputa e, por vezes, até escalações. Isso não está correto.
G: Você ainda se sente disposto a experimentar, abrir novos caminhos na sua profissão? Quais suas ambições profissionais?
AR: Novos caminhos na área esportiva. Tem muita coisa a explorar, sobretudo na TV, onde ainda sou iniciante.
G: Quem é o maior profissional com quem você já trabalhou? Quem o inspira a ser cada vez melhor?
AR: São vários inspiradores. Juca Kfouri, Alberto Helena Jr, José Trajano, Paulo Cesar Martin (meu chefe no Notícias Populares), PVC, Sergio Xavier Filho (meu chefe na Placar, que vê futebol praticamente da mesma forma que eu…). Xiii… Me esqueci de um monte de gente…
G: Qual sua maior vitória ou o que mais se orgulha de ter realizado na profissão?
AR: São coisas cíclicas. Gostei muito de cobrir duas Copas do Mundo, agora da Olimpíada da China, de ter comandado a matéria sobre o Casagrande na Placar ano passado, enfim… Os novos desafios acabam superando as antigas realizações.
G: Como você se definiria como profissional?
AR: Um cara sério, apaixonado pelo que faz e que respeita as pessoas com as quais trabalha.
G: De todos os meios para os quais você trabalhou, qual você mais aprendeu? Qual te marcou mais? Quais as principais diferenças entre os meios para os quais você trabalhou?
AR: Onde eu mais aprendi foi no Notícias Populares, sem dúvida. Agora, mais recentemente, estou aprendendo demais na ESPN. Os meios são completamente diferentes, mas os princípios são basicamente os mesmos.
G: Você tem muitas funções no jornalismo como: repórter, comentarista e também editor. Como uma função complementa e/ou dificulta a outra? Onde você se sente mais confortável?
AR: Boa pergunta. Hoje, são funções complementares. Edição na revista, comentarista na TV, onde posso, digamos, me expressar diariamente. Já não escrevo praticamente na revista. Sinto falta de reportagem. Aliás, os bons repórteres estão sumindo. Nunca fui um grande repórter. Hoje, acho muito difícil resgatar essa verve.
G: O que é o sucesso para um jornalista? Qual o maior momento da sua carreira?
AR: Sucesso… Palavra difícil. Acho que é ter seu trabalho reconhecido. Perceber que seu trabalho tem de fato relevância. Que as pessoas levam de fato em consideração suas informações, suas opiniões… O maior momento da minha carreira ainda não ocorreu. Gostei das coberturas das Copas do Mundo, da Olimpíada… mas ainda terei mais “momentos”
G:Qual notícia ou fato do mundo esportivo você gostaria de ter participado, visto e relatado?
AR: Eu gostaria de ter esclarecido no momento correto o piripaque de Ronaldo na Copa de 1998. Essa foi uma das grandes mancadas da minha vida de jornalista. Não só minha, na verdade. Até a Globo, com uma casa do lado do castelo da seleção, não percebeu o que tinha acontecido. Frustração que persiste até hoje.
G: Como é o relacionamento com suas fontes? É possível ser amigo de jornalista?
AR: Acho até possível, mas procuro não cultivar essas amizades. Não saio pra jantar, não vou tomar cerveja, não convido pra minha casa… É um relacionamento respeitoso, de confiança, mas com a distância regulamentar.
G: Qual a solução para o futebol brasileiro? Quem seria, hoje, o profissional ideal para conduzir a profissionalização do futebol?]
AR: Em termos de calendário, estamos quase lá. Faltam alguns ajustes na Lei Pelé para dificultar a saída de jogadores. Não existe esse profissional. Acredito numa espécie de “colegiado”, mas faltam bons nomes.
G: Qual a principal vantagem e a principal desvantagem em trabalhar com opinião?
AR: Acho que vc precisa ter embasamento para emitir uma opinião, sobretudo numa televisão, por exemplo, e num assunto em que todo mundo sabe pelo menos um pouquinho. No caso, o futebol. Tendo essas coisas como premissas, não vejo desvantagem.
G: É melhor estar na beirada do campo fazendo reportagem ou ficar da cabine comentando?
AR: Hoje, eu prefiro os comentários. Acho que sou melhor comentarista do que fui repórter, mas ainda estou engatinhando.
G: Qual a principal função do blog para você? Qual o valor que você dá ao seu blog?
AR: O blog é o meio mais fácil e acessível de você expressar sua opinião. Acho que existe um excesso de blogs. Nem todas as pessoas deveriam ter blog se não tiverem algo interessante/diferente para relatar. O meu blog é um pouco atemporal, análise tática de jogos importantes. Não teria condições e estofo de bancar um blog diário.
G: De que forma toda esta liberdade de comentários, julgamentos e opiniões dificulta e/ou influi no seu trabalho?
AR: Hoje, é fundamental vc ter um cuidado especial com a informação, e com os comentários também, Com internet, blog, TVs a cabo, todo mundo tem espaço para opinar. É um tanto quanto perigoso, se vc não conseguir estabelecer um “filtro” em toda essa quantidade de informação.
G: Você consegue ler outros blogs? Quais você costuma acessar?
AR: Leio, sim. Os dos meus colegas da ESPN (PVC, Mauro Cezar, Calçade…), o do Victor Birner eventualmente, os dos IG sobre futebol internacional. Leio blogs diariamente.
G: Você é a favor de revelar seu clube do coração? Qual o seu?
AR: Não sou. Acho que as pessoas passam a te ver com outros olhos. Revelo quando me perguntam. Você está me perguntando, não é? São Paulo.
G: Quais suas lembranças da época de Geraldino?
AR: As melhores. Ainda sou, pelo menos Arquibaldo. Quando vou assistir, torcer, sem trabalhar, compro ingresso, pego fila e vou na arquibancada. Nada de carteirada, camarote etc. O melhor lugar para se ver um jogo é ao lado do povo.
G: Muitos dizem que o futebol do Brasil está piorando a cada ano. Como você enxerga o futebol brasileiro atualmente?
AR: Não concordo nem um pouco. Nosso Campeonato Brasileiro está cada vez melhor. Se arrumarmos uma forma de manter mais jogadores de bom nível aqui… seria lindo.

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;bela entrevista.
Olá, adorei a entrevista, e precisava falar com ele também para o meu TCC, que é sobre futebol. Teria como você me passar o email dele, através do meu email? Obrigada