Na Geral – Entrevista com Celso Unzelte

celso unzelte Na Geral   Entrevista com Celso UnzelteTem louco pra tudo, não? Pois é, Celso Unzelte é um louco dos bons. Corintiano, jornalista, professor e um completo aficionado por números, dados e história do esporte, em especial o futebol. Escreveu livros como Almanaque do TimãoAlmanaque do PalmeirasO Livro de Ouro do Futebol.

Uma figura de primeira linha e um exemplo de jornalista.

OsGeraldinos tiveram a oportunidade de conhecer e conviver um pouco com o nosso entrevistado na época da Copa do Mundo de 2006. Enquanto fomos mandados para terras germânicas, Celso ficou no Brasil, responsável por comandar o Loucos por Copa.

As experiências que caras como ele, Marcelo Duarte e Paulo Vinicius Coelho podem passar em instantes de convivência, fazem o papel de um estágio, tamanho o aprendizado.

O que nos faz ainda mais orgulhosos de contar com sua presença aqui no site. Leiam a entrevista e aprendam! Eu vou ler de novo…

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Geraldinos: O que te levou a ser um jornalista esportivo?

Celso Unzelte: Antes de tudo, minha paixão pelo futebol. Depois descobri, também, a paixão pelo jornalismo, e aí tudo acabou dando certo.

G: De todos os meios para os quais você trabalhou, qual você mais aprendeu? Qual te marcou mais?

Celso: O que mais me marcou foi sem dúvida foi Placar, a revista da minha infância. Ela foi para a minha geração o que a ESPN Brasil é hoje para a garotada. Aquele em que mais aprendi e ainda estou aprendendo é a ESPN Brasil, pois jamais na vida pensei em fazer televisão.

G: Quais as principais diferenças entre os meios para os quais você trabalhou?

Celso: Nos meios impressos o mais importante é o conteúdo. Nos eletrônicos, embora o conteúdo também tenha de ter peso, a forma tem papel tão e às vezes mais importante.

G: Qual a principal vantagem e a principal desvantagem em trabalhar com opinião?

Celso: Eu gosto mais de trabalhar com informação. A opinião dá menos trabalho de apuração, e essa seria sua principal “vantagem”. A desvantagem é que opinião todo mundo tem a sua, então você vive sendo contestado e não tem como comprovar empiricamente as suas teses.

G: É mais fácil trabalhar como comentarista?

Celso: Sem dúvida é mais cômodo, mas para tecer comentários bem embasados também é preciso apurar, checar… Ou seja: o mesmo processo de qualquer atividade jornalística.

G: Você possui um blog? Tem tempo e gosta de ler blogs? Quem você costuma ler?

Celso: Não. Considero um blog responsabilidade demais, é quase como ter um filho. Se for para não criar direito, prefiro não tê-lo. Mas gosto de ler, eventualmente, aqueles que me trazem alguma informação, como os do Juca e do PVC.

G: De que forma a internet e os blogs alteraram a rotina e o padrão de qualidade do jornalismo esportivo?

Celso: O lado bom foi a expansão de lugares para as pessoas se expressarem. O ruim, é que perdeu-se completamente um padrão. Hoje, há de tudo, e cabe ao consumidor de informação separar o joio desse trigo.

G: Existe hoje um excesso de superficialidade no jornalismo?

Celso: Acho que essa superficialidade está presente em toda produção cultural, não só no jornalismo. Vivemos tempos de mais informação em volume e menos aprofundamento.

G: Que males o imediatismo traz para o ofício do jornalista?

Celso: O imediatismo é, em essência, a alma da nossa profissão. Mas quando se percebe que tudo começa a passar e nada a ficar, começa a ser hora de repensar a maneira como fazemos as coisas. Por exemplo: nenhum site ou veículo impresso traz, hoje, o tempo de jogo dos cartões amarelos ou fichas técnicas completas dos jogos da Série C. Daqui a algum tempo, quando alguém for procurar isso para fazer uma análise, não vai encontrar. É um exemplo dos males do imediatismo.

G: Como um estudioso do esporte, um analista de números e histórias, o que de mais divertido, interessante ou inusitado você se orgulha de ter descoberto/encontrado?

Celso: Sem dúvida o fato de que Wladimir é o recordista de jogos do Corinthians, com 805 partidas. Lembro-me de que quando o goleiro Ronaldo chegou a 600 jogos, chegou a ser anunciado como recordista, ainda que com a ressalva de que Zé Maria, Vaguinho e o próprio Wladimir “poderiam” ter feito mais jogos. Como assim, “poderiam”? Os três jogaram há relativamente pouco tempo, não havia motivo nenhum para essa dúvida. Fui lá, contei todos os jogos não só destes, mas de todos os jogadores do Corinthians desde 1910, e me orgulho muito disso.

G: Como você se dedica a estudar o esporte? Qual sua rotina?

Celso: Basicamente, armazeno informações. Compro revistas e jornais antigos, salvo arquivos no computador, organizo índices remissivos. Não adianta nada ter um monte de informação se você não souber onde achar aquilo que mais precisa naquele momento.

G: Por que o esporte (o futebol ainda mais) desperta tanto interesse e exerce tanta influência no dia-a-dia das pessoas?

Celso: Porque é um traço cultural do brasileiro, coisa que vem do berço e é passada para as outras gerações.

G: Qual a maior loucura que você já fez para assistir a um jogo de futebol?

Celso: Enfiei a cabeça em uma fresta de uma grade do Pacaembu que se abria e fechava conforme o povo empurrava, enquanto um policial em cima de um cavalo descia o cassetete em todo o mundo. Valeu à pena, porque naquele dia acabei entrando de graça e meu time ainda ganhou o jogo.

G: Quais suas lembranças da época de Geraldino?

Celso: Quando era office-boy, praticamente trabalhava só para pagar os ingressos e passagens de ônibus para ver aos jogos. Bons tempos.

G: O que seria do mundo para você se não houvesse o futebol?

Celso: Seria sem dúvida muito mais vazio. “Eu teria um desgosto profundo se faltasse o futebol no mundo…

G: Você também é professor, qual o grau de influência da faculdade na formação do jornalista ético e íntegro?

Celso: A faculdade pode aprimorar a ética e integridade, oferecer alguns parâmetros. Mas esses são conceitos que as pessoas geralmente já trazem de casa.

G: O excesso de faculdades de jornalismo tende a piorar o nível do mercado?

Celso: Sim, como já aconteceu nos demais cursos superiores. Mas ainda acredito que quem tem alguma coisa diferente para oferecer acabará se diferenciando.

G: Os jogadores de hoje são tão piores de bola e de caráter do que os de antigamente ou a imprensa que é saudosista?

Celso: Não só a imprensa, mas as pessoas em geral, e não só no futebol, têm saudade de um tempo que não volta mais. Questões como amor à camisa versus profissionalismo não cabem em um tempo em que tudo na vida mudou.

G: Você acha que a cobrança da imprensa sobre os jogadores é maior do que antigamente? É um fator determinante para sucessos e fracassos fulminantes?

Celso: Essa pressão pode, sim, determinar sucessos e fracassos, mas não creio que seja maior hoje que antigamente. Desde os tempos de Friedenreich tudo o que o craque fazia já era notícia, e quem escolhe esse tipo de vida deve estar preparado par isso.

G: Você ficou conhecido no Loucos por Futebol por suas interpretações dos mais diferentes hinos do futebol. Qual o mais bonito? O pior? E qual você mais gosta de cantar?

Celso: Gosto muito do hino do Fluminense (“Sou tricolor de coração…”). Entre os piores, nenhum bate a rima do União Barbarense: “Salve, salve, União Barbarense, um orgulho de pais e de mães, tens o nome gravado na história, seu patrono, salve Antônio Guimarães”. O que eu mais gosto de cantar, é claro, é aquele que começa assim: “Salve o Corinthians, o campeão dos campeões…”

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Autor do post:
Rodrigo Ferreira

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1 Comentário

  • Tadeu Rover

    Muito bom!!! Do pouco que conheci na ESPN, o Celso com certeza foi um dos melhores. E isso porque achava ele um chato na tv. Mas depois o conceito mudou. E viva o hino da União Barbarense