Na Geral – Entrevista com Vanessa Riche

Vanessa Riche é a simpatia em pessoa. Impressionante sua disponibilidade e paciência para aturar os pedidos de entrevista e os papos alheios que surgem. Jornalista e publicitária, hoje se tornou conhecida como a apresentadora do SporTv News, além de passagens pela Globo News, Jovem Pan e outros tantos meios. Formada pela Gama Filho, mora no Rio de Janeiro e é a companheira número um dos amantes do esporte na madrugada.E claro, pra quem gosta de blogs, cá está o dela. O papo foi divertido e, espero eu, pode render muita coisa legal ainda. Afinal, Vanessa é a simpatia em pessoa!

Geraldinos: O que te levou a ser um jornalista esportivo?

Vanessa Riche: Comecei a carreira em rádio. Fui locutora da Jovem Pan e da Cidade FM. Minha escola na televisão foi a Globo News. Foram 6 anos de muito aprendizado até que um dia percebi que não estava feliz e imaginei que no esporte poderia resgatar um pouco do que vivi no rádio. E quando me deparei com as transmissões percebi que estão diretamente ligadas ao trabalho que desenvolvi no rádio. O narrador nada mais faz do que contar a história daquele jogo ou competição e isso é muito próximo do rádio.

G: Quem são suas referências no jornalismo? Quem escreve bem sobre esportes atualmente? Que colunista/comentarista você faz questão de ler/ouvir?

VR: Lédio Carmona e Roberto Assaf.

G: Como apresentadora, como é lidar com a fama ou a grande exposição da sua imagem?

VR: Senti uma mudança muito grande do público quando cheguei no Sportv. Na Globo News o público era mais velho.. discreto. Num canal de esportes o público alvo é mais novo e em sua maioria masculino, quando me encontram na rua o assunto é um só. O Futebol é uma paixão nacional e todo mundo entende um pouco. Aprendi que quando o telespectador me encontra … na verdade ele não quer ouvir a minha opinião, ele quer que eu saiba a dele, e essa experiência é maravilhosa. Respondo por dia uma média de 100 e-mails. O telespectador cria uma imagem de quem ele assiste que na maioria das vezes nem é exatamente a verdadeira. O importante é preservá-la. E isso não é muito fácil.

G: Qual a maior dificuldade do seu dia-a-dia? Onde você encontra a sua diversão?

VR: Estar atualizada com tudo que acontece no mundo do futebol. Todos os dias tem alguém saindo ou chegando num clube, alguém demitido e contratado. Minha diversão está no samba que eu amo, no encontro com os amigos….

G: Você já enfrentou algum problema ao vivo? Como você saiu dele?

VR: Várias histórias engraçadas. No carnaval pela Globo News eu combinei com o casal de mestre-sala e porta-bandeira que iria entrevistá-los e ao final eles dançariam ao som do puxador. Quando olhei para o lado cadê o puxador? Aquela altura o casal dançava sem música enquanto eu falava do enredo e fazia sinal com a mão para o puxador voltar correndo, ele chegou bufando e cantou. Foi engraçado. No Rock in Rio eu estava tentando gravar no dia dos roqueiros e toda hora tinha um papagaio de pirata dando tchau. Tentei entrar em acordo com a galera, mas não seu certo. No meio da gravação o cinegrafista saiu revoltado e eu escutei a galera rindo, imaginei que tinham feito um sinal obsceno. A cena era a seguinte eu falando sobre o festival e ao fundo uma bunda pulando. Acredita que um deles abaixou as calças e ficou pulando de costas. Sorte que não era ao vivo.

G: De que forma o improviso permeia o seu trabalho?

VR: O improviso é a alma da televisão. Aprendi na época que trabalhava em rádio. Adoro estar ao vivo e isso significa correr riscos. Adoro! Na cobertura jornalística mais importante da minha carreira o seqüestro do ônibus 174 foi o improviso que trouxe do rádio, que fez a diferença. Fiquei 3h30 no ar sem ter como apurar. Falava o que eu via e principalmente o que as câmeras não mostravam para quem estava em casa. Isso nada mais foi do que improviso.

G: Hoje e cada dia mais, o esporte tem muitas mulheres fazendo reportagem e emitindo opinião, você já enfrentou qualquer preconceito por ser uma mulher falando de esportes?

VR: Nunca. Fui muito bem recebida, mas tenho a humildade de deixar claro que não tenho a mesma cultura esportiva que os homens que trabalham comigo. As mulheres da minha geração até frequentaram os estádios, mas não com os mesmos olhos deles. Eu adorava ir ao Maraca para ver a festa das torcidas, não era muito ligada em futebol e hoje sinto que isso faz falta. Quando tenho dúvidas pergunto sem a menor vergonha.

G: Você  se sente disposta a experimentar, abrir novos caminhos na sua profissão?

VR: Quando decidi trabalhar com esporte recebi a proposta de me tornar a primeira narradora das Organizações Globo e eu topei o desafio. Ainda na Globo News passei 2 anos acompanhando as equipes de esporte da Globo. Narrar é o futuro que já estou construindo. É um super desafio. Hoje eu narro natação, ginástica e hipismo. O Próximo passo são os esportes coletivos.

G: Qual seu esporte favorito?

VR: Aprendi a gostar dos 3 esportes que eu narro, mas sempre gostei de basquete. Não tenho altura, mas joguei no colégio. Acho muito ágil, as jogadas são lindas!! A NBA é um show.

G: Você tem o seu blog. Lê outros blogs? Quais você costuma acessar? De que forma a internet modificou o seu trabalho?

VR: Passeio por todos os blogs dos principais comentaristas de esporte e gosto muito de diversificar. Leio blogs voltados para mulher, que falam de samba, de publicidade e fotografia. Acho que a internet além de trazer agilidade para o jornalismo, me aproximou dos telespectadores. O blog e o e-mail são os caminhos. Tento responder todas as mensagens que recebo. Assim fico sabendo o que pensa quem me assiste. Se não vira uma via de mão única.

G: Como é pra você lidar com a proximidade com os leitores no blog, já que na Tv a “distância” é bem maior?

VR: A internet da voz ao telespectador. Acho importantíssimo saber a opinião de quem está do outro lado e muitas vezes me surpreendo com a percepção deles. Eles percebem cada coisa! Eles jogam ali a raiva, a carência, a visão sobre o nosso trabalho.

G: Qual seu maior defeito e qualidade? Se pudesse se dar um conselho, o que diria?

VR: Acho que falo muito e sou muito ansiosa. Estou sempre correndo e com isso acabo não percebendo momentos mágicos que poderia viver com mais tranquilidade. O Conselho: Calma!!!

G: O que é o sucesso para uma jornalista?

VR: Humildade e Apuração dos fatos. Hoje a internet abre uma infinidade de fontes e uma armadilha gigante. Não dá para confiar de cara em tudo que lemos. Nossa responsabilidade é grande. Construímos a chamada credibilidade e realmente é preciso o compromisso com o que falamos.

G: O ambiente do futebol tornou-se muito sensível a provocações e comentários polêmicos. O que o jornalismo esportivo e o leitor/espectador ganham com tanta polêmica? O futebol hoje não está polêmico demais e esportivo de menos?

VR: Todo mundo entende um pouco de futebol e o que vemos todos os dias é um grande “achismo”. Antes de fazer a pergunta numa coletiva, o repórter já antecipa a própria opinião. Mas o que importa é o que o entrevistado tem a dizer e não o que nós jornalistas pensamos sobre o assunto. Entre técnicos e jogadores imagino que as provocações sejam úteis porque geram notícia e isso é interessante para eles.

G: Existe um trabalho mais marcante (ou cobertura) na sua carreira? Qual e por quê?

VR: O seqüestro do ônibus 174. Foi a partir dali que eu passei a ser reconhecida como jornalista dentro da empresa.

G: Qual notícia você se emociona ou lembra com carinho de ter dado?

VR: Já me emocionei várias vezes com histórias de atletas antes de se tornarem conhecidos. Um dos momentos mais emocionantes foi fazer a saída do Herbert Vianna do hospital. Ele ficou um mês de internado e eu acompanhei de perto. Fiquei de plantão um mês na porta do hospital. Foi uma vitória! G:

Qual notícia ou fato do mundo esportivo você gostaria de ter participado, visto e relatado?

VR: Gostaria de ter trabalhado na época em que o Pelé e o Garrincha jogaram.

G: Tem algo contra admitir o time para o qual torce? Qual é?

VR: Todos que trabalham com esporte têm um time do coração e admitir é um caminho sem volta. O Torcedor é pura emoção e eu me divirto quando escuto: – Você estava feliz quando disse que tal time perdeu ou ganhou. Noventa por cento das vezes, erram o meu time. Já declarei algumas vezes.

G: Você frequentava ou frequenta os estádios?

VR: Frequento sempre que tem jogos interessantes e eu estou de folga. Adoro!

G: Jogador de futebol é realmente folgado com jornalistas mulheres?

VR: São sim. Já ouvi cada cantada que tenho vergonha de contar.

G: Poderia contar um caso engraçado?

VR: Acho que em um ambiente dominado por homens, a postura das mulheres é fundamental. Foi assim que conquistei credibilidade. Sabia que em algum momento iria me deparar com algum tipo de abordagem de jogadores e técnicos. Posso dizer que eles são diretos! É constrangedor!

G: Se você pudesse escolher, que notícia você gostaria de dar na abertura do SporTvNews nos próximos anos?

VR: Nossos craques permanecem no Brasil e nos estádios não temos mais violência.

G: Se você pudesse mudar algo na sua rotina ou no seu trabalho, o que seria?

VR: O horário, sem dúvida. Adoro o que faço, mas durmo muito tarde todos os dias. Minha rotina é bem diferente. Não abro os olhos antes das 10h e não durmo antes das 3h.

Autor do post:
Rodrigo Ferreira

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