Um fenômeno que se tornou imortal

Guga no Hall da Fama

Guga no Hall da Fama

Dia 14 de julho de 2012 é uma data histórica, pois o brasileiro Gustavo Kuerten deixa de ser um fenômeno do tênis brasileiro e mundial, para ser imortalizado e se tornar uma lenda.

 A partir deste dia, o nosso Guga entrou para o Hall da Fama do tênis mundial. Isso mesmo, o manézinho da ilha tem agora o seu lugar entre os maiores jogadores da história do tênis!

Falar o que de Guga?

 Não estou aqui para falar de quando ele começou a jogar, de quantos títulos ele conquistou e etc. Venho para lembrar dos momentos em que me emocionei com ele dentro de quadra.

Quem não se emocionou com aquele título de 1997 em Roland Garros, quando ele surgiu como um furacão, com as cores do Brasil, cabeleira de surfista, jeitão largado, desengonçado e passando por cima de favoritos como Kafelnikov, Thomas Muster, e vencendo na final, até com certa facilidade, o espanhol e bicampeão
de Roland Garros Sergi Bruguera?  Naquele momento muitos disseram que foi sorte, uma semana que não se repetiria mais. Porém Guga mostrou ao mundo que veio para ficar e para colocar o seu nome na história. E além de conquistar por mais duas vezes o título do Grand Slam Francês (2000 e 2001), revolucionou e mudou a forma de se jogar no saibro, para deixar os argentinos e os espanhóis, especialistas na terra batida, malucos! Sim, quando Guga jogava contra um argentino ou um espanhol, era só esperar o show e a aula de tênis começar.
Quantas vezes eu vi Alex Corretja, Juan Carlos Ferrero e principalmente Albert Costa darem gritos, isolarem bolas para a arquibancada, cansados de tanto correr, sem saber o que fazer com aquele maluco distribuindo bolas de um lado pro outro da quadra.

Roland Garros 1997

Guga comemora ponto em Rolang Garros de 1997

Masters Cup

Guga campeão da Masters Cup de Lisboa

Outro título inesquecível foi o da Masters Cup de 2000 em Lisboa, torneio este que reúne os oito melhores jogadores do ano, onde em uma quadra rápida, Guga arrasou nada mais nada menos que os mitos Pete Sampras na semifinal e André Agassi na final, se tornando o número 1 na corrida dos campeões daquele ano. Na minha  opinião, este foi um dos torneios em que ele praticamente alcançou a perfeição, e apesar da derrota na primeira rodada para o mesmo André Agassi, vieram em seguida, vitórias sobre Magnus Norman, Kafelnikov, Sampras e Agassi, mas não foram vitórias comuns, Guga jogou em um nível absurdo, praticamente sem colocar bolas na rede, com uma confiança acima do normal. Lembro-me de uma entrevista do Larri Passos depois de um dia de treino dizendo que não viu o Guga colocar uma bola na rede e que tinha ficado impressionado com o nível de tênis que ele atingiu naquele dia e que se ele colocasse aquilo em prática na hora do jogo, seria muito difícil alguém o vencer. E foi o que aconteceu. O mundo estava aos seus pés, Guga era campeão do mundo!

Um dos últimos grandes feitos de Guga foi à vitória nas oitavas de final de Roland Garros em 2004, sobre Roger Federer, ano em que o suíço já era o número 1 do mundo, e conquistou naquele ano, nada mais nada menos do que os títulos do Aberto da Austrália, Wimbledon e o Aberto dos EUA, e sendo aquela sua única derrota em Grand Slams no ano. Neste jogo, Federer foi completamente dominado em quadra por Guga e rasgou elogios ao brasileiro no final da partida. Apesar de terem se enfrentado poucas vezes, o retrospecto é favorável ao brasileiro. Podemos dizer então que, o maior jogador da história é freguês do brasileiro.

Infelizmente, em 12 de fevereiro de 2008, depois de alguns anos sofrendo com as dores, Guga teve que se aposentar precocemente, devido a uma lesão crônica no quadril, que o impediu de jogar em alto nível por mais alguns anos e que muito provavelmente o tornaria mais algumas vezes campeão de Roland Garros. Talvez seria ele o cara para brigar de igual para igual com Rafael Nadal no saibro, por alguns anos mais. Pois se pensarmos, Guga se aposentou com 31 anos em 2008, porém desde 2002, Guga já enfrentava as dores no quadril, e hoje em dia, um tenista consegue competir pelo menos até os 34 anos, ou seja, sem contusões, seriam pelo menos mais uns oito anos competindo em alto nível. Ah, como eu queria ter visto Guga jogar seu melhor tênis contra o Nadal! Com certeza teríamos jogos históricos entre estes dois monstros do saibro.

Uma aposentadoria que não tira o brilho de uma carreira fenomenal desse manézinho que continua brilhando por aí com o Instituto Guga Kuerten em Floripa, proporcionando educação e um futuro para centenas de crianças, trabalho este, que ele faz com o mesmo amor, carinho e afinco de quando jogava tênis.

Em 1 de junho de 2010, recebeu o troféu Philippe Chatrier, a maior honraria do tênis mundial, em reconhecimento às ações desenvolvidas pelo Instituto Guga Kuerten e o tricampeonato em Roland Garros.

Na cerimônia onde Guga foi “canonizado”, a americana Jennifer Capriati também entrou para o Hall da Fama. Jennifer tem uma história linda de superação no tênis, daquelas que americano adora. Porém, não que seja uma competição, mas Guga foi o mais ovacionado. Por quê?  É simples, Guga tem um dom natural de cativar as pessoas, distribui sorrisos com simplicidade e age de uma forma tão natural, que conquista e arranca sorrisos de quem está ao seu lado.

Pensei em algumas maneiras de terminar este texto, mas acabei escolhendo a mais simples, a maneira Guga de ser…

Obrigado gênio! Obrigado por tudo.

ALLEZ, GUGA! 

Autor do post:
Edu Marzotto

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5 Comentários

  • Toni Amieva

    Guga é um ídolo do esporte. E fez o Tênis renascer mais forte no Brasil. O primeiro sul-americano a alcançar o número 1 no ranking e na corrida dos campeões. Em uma das minhas viagens a trabalho, encontrei com o Guga, ainda em atividade e entre os Top 10, em uma conexão em Guarulhos… de head-phone ouvindo um som e caminhando bem simples pelo hall do aeroporto… genial até pelo estilo simples. Confesso que fiquei um tempão seguindo e admirando um ídolo. Allez Guga!!!

    • Renato

      Realmente ele emocionou muitas vezes a mim, eu certamente posso dizer que ele é o maior atleta brasileiro que eu vi jogar, e olha que temos caras como Ayrton Senna, temos alguns jogadores do nosso voley, do próprio futebol que é a nossa paixão, mais o GUGA pra mim foi um gênio realmente, era muito empolgante a maneira que ele jogava, mesmo nas derrotas, o cara era incrível. Seu backhand na paralela, seus saques salvando breakpoints com aces, trocas de bolas incríveis de fundo de quadras, simplesmente incrível.

    • Leandro Deva

      Acho que de tudo que foi falado penso que o GUGA foi o cara que pos o Brasil no mapa do tenis nao so pela tecnica mas tambem pelo jeito de ser, este cara fez eu gostar de tenis , MEU IDOLO